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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

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Jornal Diário do Povo

INVESTIGAÇÃO

PF desvenda esquema de fraudes no INSS com mensagens sobre jatinho e partilha de entidade

PF desvenda esquema de fraudes no INSS. Mensagens revelam diálogos sobre compra de jatinho e envolvimento de deputada. Advogada e empresário têm prisão preventiva decretada.

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PF desvenda esquema de fraudes no INSS com mensagens sobre jatinho e partilha de entidade

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (17) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de desvio de dinheiro do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mensagens e planilhas apreendidas pela PF revelam diálogos sobre a compra de um jatinho, pagamentos a servidores como "comissão Brasília BSB" e o envolvimento da deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE), que supostamente exigia "70%" de uma entidade investigada.

A deputada foi alvo de mandados de busca e apreensão. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o uso de tornozeleira eletrônica como medida cautelar, após pedido de prisão da PF. A advogada Cecilia Rodrigues e o empresário Natjo Pinheiro, que, segundo a investigação, prestavam contas à parlamentar e operavam o esquema, tiveram a prisão preventiva decretada e foram cumpridos mandados no Ceará.

Em uma das mensagens interceptadas, Natjo reclama da falta de dinheiro e menciona que "A Gorete quer ficar com 70% da entidade". Ele também sugere que repassar recursos à deputada por meio de escritórios de advocacia seria "mais legítimo" para "preservar as coisas". A aquisição de uma aeronave e um BMW X6 por Natjo são citados pela PF como reforço ao seu envolvimento.

Cecilia, por sua vez, foi flagrada em conversa sobre a compra de um jatinho, indicando sua participação no "fluxo financeiro proveniente dos descontos fraudulentos". "Deixa de fazer corpo mole. Vai atrás desse negócio, bora comprar um jatinho. O Natjo já vai comprar um jato. Vambora entrar na fila? Vamos ver se consegue aí o negócio, rapaz, pra gente?", diz a mensagem.

A PF aponta "indícios suficientes de autoria" contra os três, com envolvimento "direto" na assinatura de termos de associação falsos, coordenação de pagamentos "ilícitos", recebimento pessoal de valores e lavagem de dinheiro. A deputada é descrita como "articuladora política junto a órgão públicos", recebendo valores via "interpostas pessoas e empresas de fachada" e determinando "agilidade" na aprovação de entidades associativas ligadas ao grupo.

Cecilia e Natjo são suspeitos de estarem por trás de associações que firmaram acordos fraudulentos com o INSS, desviando dinheiro de aposentados e pensionistas. Os diretores dessas entidades teriam atuado como "laranjas" do trio.

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