O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, defendeu nesta terça-feira (17) a criação de um novo Plano Brasil Soberano para auxiliar exportadoras brasileiras afetadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos. A proposta também contemplaria setores com déficits comerciais, empresas estratégicas e aquelas impactadas por conflitos internacionais.
Mercadante explicou que, embora o Plano Brasil Soberano original, lançado em agosto de 2025, tenha tido sucesso em socorrer empresas prejudicadas por tarifas americanas, algumas ainda enfrentam barreiras maiores que a concorrência. Ele citou a legislação americana de Segurança Nacional (Seção 232) como um exemplo de ferramenta que permite a imposição de tarifas específicas.
As declarações foram feitas durante a apresentação do balanço financeiro de 2025 do banco. Mercadante revelou que R$ 6 bilhões do plano original ainda estão disponíveis no caixa do BNDES, o que eliminaria custos adicionais ao orçamento público. Ele sugeriu que o Congresso Nacional aprove a reedição do programa, possivelmente via Medida Provisória, e mencionou conversas avançadas com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o Ministério da Fazenda.
O presidente do BNDES também destacou a necessidade de o programa abranger setores estratégicos, como o de fertilizantes, dada a instabilidade geopolítica global e a dependência de importações em cenários de guerra. Ele ressaltou a importância de o Brasil ter maior resiliência e capacidade de resposta.
Mercadante também comentou a situação da Raízen, gigante de biocombustíveis. Ele afirmou que o BNDES está empenhado em encontrar uma solução para a recuperação extrajudicial da empresa, que busca renegociar R$ 65,1 bilhões em dívidas. O BNDES, que aprovou R$ 1 bilhão em financiamento para a produção de etanol da Raízen em janeiro de 2025, possui garantias reais sobre a dívida com a empresa e busca ativamente uma solução junto a credores e acionistas.
Sobre o possível fim da escala de trabalho 6x1, Mercadante informou que o BNDES está estudando a questão, mas aguarda definições do governo antes de qualquer pronunciamento.