Especialistas e entidades do setor de petróleo alertam que a privatização da BR Distribuidora, concluída em 2021, eliminou o controle estratégico do Estado sobre a cadeia de fornecimento de combustíveis. Isso, segundo eles, deixa o mercado vulnerável a aumentos abusivos de preços, como os relatos de gasolina a R$ 9 em São Paulo, que não condizem com os valores praticados nas refinarias.
A falta da estrutura verticalizada "do poço ao posto", antes presente na Petrobras, retirou do governo a capacidade de intervir e frear a especulação em momentos de instabilidade, avaliam analistas ouvidos pela Agência Brasil.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) aponta que o conflito no Oriente Médio tem sido usado como pretexto por distribuidoras e revendedoras para aplicar margens de lucro excessivas. Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, estima que o preço chegue ao consumidor final com um acréscimo de cerca de 40%.
Geraldo de Souza Ferreira, professor de Engenharia de Petróleo da UFF, complementa que a retirada de uma empresa pública de um setor vital como o de petróleo e derivados enfraquece as "ferramentas institucionais" de intervenção do Estado. Ele ressalta que empresas públicas visam a função social, enquanto privadas são orientadas pelo lucro.
Enquanto isso, a Vibra Energia S.A, que adquiriu a BR Distribuidora, anunciou lucro líquido de R$ 679 milhões em 2024, evidenciando o foco no retorno financeiro.
A venda das subsidiárias da Petrobras ocorreu sem consulta ao Congresso Nacional, apesar de decisões do STF que indicam a necessidade de autorização legislativa para alienação de controle acionário de empresas públicas.
Para mitigar os efeitos, o governo federal zerou alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e concedeu subvenção econômica, totalizando R$ 0,64 por litro a menos. Uma sala de monitoramento foi criada para acompanhar o mercado e, em reunião com distribuidoras, sugeriu-se o aumento da importação de diesel pela Petrobras.