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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Privatização da BR Distribuidora eleva preços de combustíveis em crise

Especialistas apontam que privatização da BR Distribuidora retirou do Estado ferramentas de controle, facilitando aumentos abusivos de preços em meio à crise. Governo busca mitigar impacto com redução de impostos e subsídios.

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Privatização da BR Distribuidora eleva preços de combustíveis em crise

Especialistas e entidades do setor de petróleo alertam que a privatização da BR Distribuidora, concluída em 2021, eliminou o controle estratégico do Estado sobre a cadeia de fornecimento de combustíveis. Isso, segundo eles, deixa o mercado vulnerável a aumentos abusivos de preços, como os relatos de gasolina a R$ 9 em São Paulo, que não condizem com os valores praticados nas refinarias.

A falta da estrutura verticalizada "do poço ao posto", antes presente na Petrobras, retirou do governo a capacidade de intervir e frear a especulação em momentos de instabilidade, avaliam analistas ouvidos pela Agência Brasil.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) aponta que o conflito no Oriente Médio tem sido usado como pretexto por distribuidoras e revendedoras para aplicar margens de lucro excessivas. Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, estima que o preço chegue ao consumidor final com um acréscimo de cerca de 40%.

Geraldo de Souza Ferreira, professor de Engenharia de Petróleo da UFF, complementa que a retirada de uma empresa pública de um setor vital como o de petróleo e derivados enfraquece as "ferramentas institucionais" de intervenção do Estado. Ele ressalta que empresas públicas visam a função social, enquanto privadas são orientadas pelo lucro.

Enquanto isso, a Vibra Energia S.A, que adquiriu a BR Distribuidora, anunciou lucro líquido de R$ 679 milhões em 2024, evidenciando o foco no retorno financeiro.

A venda das subsidiárias da Petrobras ocorreu sem consulta ao Congresso Nacional, apesar de decisões do STF que indicam a necessidade de autorização legislativa para alienação de controle acionário de empresas públicas.

Para mitigar os efeitos, o governo federal zerou alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e concedeu subvenção econômica, totalizando R$ 0,64 por litro a menos. Uma sala de monitoramento foi criada para acompanhar o mercado e, em reunião com distribuidoras, sugeriu-se o aumento da importação de diesel pela Petrobras.

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