O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento de um inquérito que investigava a atuação da ONG Transparência Internacional em um acordo de leniência da J&F relacionado à Lava Jato. A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia recomendado o arquivamento por falta de indícios mínimos para prosseguir com as investigações.
A Transparência Internacional classificou a decisão como o fim de um "episódio de assédio judicial" e reiterou que nunca recebeu recursos de acordos de leniência no Brasil, tendo recusado todas as ofertas nesse sentido.
O inquérito foi aberto em fevereiro de 2024 por Toffoli para apurar "eventual apropriação indevida de recursos públicos" pela ONG. A investigação atendeu a um pedido do deputado federal Rui Falcão (PT-SP).
Em 2017, a J&F fechou acordo de leniência no valor de R$ 10,3 bilhões, sendo R$ 2,3 bilhões destinados à execução de projetos sociais com o apoio da Transparência Internacional. Toffoli também havia suspendido o pagamento da multa da J&F na época, citando "dúvida razoável sobre a voluntariedade" do acordo.
A tentativa de investigar a ONG não é inédita. Em 2020, o então procurador-geral Augusto Aras já havia tentado barrar a participação da Transparência Internacional, que na ocasião afirmou apenas ter apresentado recomendações e não ter recebido remuneração.