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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Amazonprev ignorou alertas e manteve R$ 50 milhões no Banco Master antes de sua liquidação

Fundo de pensão dos servidores do Amazonas ignorou relatório de riscos e manteve R$ 50 milhões aplicados no Banco Master, que foi liquidado meses depois por suspeita de fraudes. Presidente alega desconhecimento da operação.

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Amazonprev ignorou alertas e manteve R$ 50 milhões no Banco Master antes de sua liquidação

A Amazonprev, fundo de pensão dos servidores do Amazonas, manteve R$ 50 milhões aplicados no Banco Master mesmo após um relatório interno apontar riscos significativos. A instituição financeira, comandada por Daniel Vorcaro, foi posteriormente liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025, sob suspeita de fraudes.

Um relatório de diligência, obtido pelo GLOBO, revelou que o então presidente da Amazonprev, Nascimento, participou de uma reunião no Master em maio de 2025. Na ocasião, já circulavam no mercado informações sobre a grave crise de liquidez do banco. O documento expressou preocupações sobre as garantias dos investimentos, citando o alto passivo de curto prazo do Master e sua capacidade de resposta aos órgãos de controle.

O relatório também indicava que o processo de negociação do Master com o BRB transmitia a impressão de dificuldades financeiras. A ata de uma reunião do comitê de investimentos em junho de 2025 destacou a dificuldade do banco em captar recursos para rolar dívidas. O comitê recomendou o acompanhamento constante dos ativos, mencionando especificamente o Master e o C6 Bank, devido à falta de demonstração de diligências que mitigassem o risco de crédito.

Apesar dos alertas, os investimentos no Master não foram revistos. Em novembro de 2025, mês da liquidação do banco, o relatório de investimentos da Amazonprev registrou a situação e informou que foi solicitado ao liquidante a habilitação para o recebimento de créditos sem garantia do FGC.

Procurado, Nascimento inicialmente negou ter participado da diligência no Master. Confrontado com evidências, admitiu ter participado de reuniões, mas alegou desconhecer a operação específica da Amazonprev. Ele afirmou que só tomou conhecimento após o sindicato entrar com ação judicial em novembro de 2025, o que o levou a reativar sindicâncias e afastar envolvidos.

Especialistas consultados apontam que, diante dos riscos alertados, tanto o comitê de investimentos quanto a presidência da Amazonprev poderiam ter decidido pelo desinvestimento, já que a alçada permitia tais ações. No entanto, analistas ressaltam que desfazer-se de ativos como letras financeiras, com prazos mínimos de dois anos e sem opção de recompra garantida, poderia gerar prejuízos ao fundo, exigindo venda no mercado secundário a valores inferiores.

Fonte: O Globo

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