A Lufthansa afirmou nesta quinta-feira (15), em teleconferência com analistas, que a possível aquisição de uma participação minoritária na TAP pode gerar sinergias anuais de até € 450 milhões (US$ 505 milhões) e ampliar sua presença entre a Europa e a América Latina.
Segundo o presidente-executivo da companhia alemã, Carsten Spohr, a operação elevaria de 9% para cerca de 20% a participação de mercado do grupo nesse fluxo aéreo. O índice colocaria a Lufthansa em nível semelhante ao do grupo IAG e à frente da Air France-KLM, de acordo com o executivo.
Spohr classificou a TAP como uma oportunidade que a Lufthansa não poderia deixar passar e disse que o negócio criaria valor para os acionistas. Ele também afirmou que a companhia portuguesa tem uma frota jovem e moderna, o que ajudaria a reduzir a idade média dos aviões da Lufthansa.
A Lufthansa planeja adquirir inicialmente 44,9% da TAP, com possibilidade de elevar a participação para 49,9% dependendo da adesão dos funcionários à compra de ações. Spohr disse ainda que a empresa discutiu com o governo português a possibilidade de chegar a 100% do capital da companhia aérea.
A conclusão da operação está prevista para 2028. Embora a TAP tenha registrado prejuízo líquido no primeiro semestre, o executivo afirmou que a Lufthansa considera as perspectivas do setor no longo prazo.
De acordo com Spohr, a TAP permitiria encaminhar mais passageiros da França, da Espanha e de Portugal para o Brasil por Lisboa, em vez de usar os atuais centros de conexão da Lufthansa em Frankfurt e Munique. A mudança também poderia liberar esses hubs para ampliar operações em destinos asiáticos.
O diretor financeiro da Lufthansa, Till Streichert, afirmou que o negócio deve aumentar o lucro por ação no primeiro ano completo após a conclusão. As sinergias estimadas de € 450 milhões seriam alcançadas gradualmente ao longo de cerca de quatro anos e poderiam crescer caso a Lufthansa obtenha uma participação majoritária.
A empresa alemã espera uma análise antitruste mais simples por haver sobreposição limitada entre as redes das duas companhias. Eventuais medidas corretivas, como a cessão de slots, dependerão dos reguladores da União Europeia.
Fonte: O Globo