A gestora de investimentos BlackRock decidiu limitar os saques de um de seus maiores fundos de crédito privado, o HPS Corporate Lending Fund, de US$ 26 bilhões. A medida ocorre após um aumento acentuado nos pedidos de resgate, que chegaram a 9,3% do fundo, mas foram restringidos a 5% pela administração. O movimento sinaliza a crescente ansiedade dos investidores em relação ao setor de crédito privado, estimado em US$ 1,8 trilhão, em meio a temores sobre falências de empresas impactadas pela inteligência artificial.
A decisão da BlackRock é o exemplo mais claro de restrição de resgates em fundos de crédito privado desde o final do ano passado. Na época, a apreensão do mercado aumentou após falências de grande repercussão levantarem dúvidas sobre as práticas de empréstimo do setor.
Em comunicado, a BlackRock afirmou que a medida está alinhada com sua gestão de liquidez para o produto de crédito direto ao consumidor, conhecido como HLEND, e é uma característica fundamental do investimento. Segundo a empresa, a restrição evita uma incompatibilidade estrutural entre o capital dos investidores e a duração esperada dos empréstimos de crédito privado.
As ações da BlackRock caíram até 8,3% no dia seguinte ao anúncio. Gestoras de ativos alternativos, como KKR & Co. e Ares Management Corp., também registraram quedas, marcando o pior início de ano em uma década para o setor.
Analistas apontam que fundos de crédito privado se preparam para uma onda de pedidos de resgate, com a preocupação sobre as práticas de empréstimo e a exposição a empresas ligadas à inteligência artificial crescendo. A decisão da HPS de manter o limite de 5% em saques foi vista como correta por preservar a integridade dos veículos de investimento e evitar a venda forçada de ativos.