Um debate promovido pelo vereador Lucas Pavanato (PL-SP) na Universidade de São Paulo (USP) na última quarta-feira (4) terminou em confusão generalizada. Estudantes acusam seguranças do parlamentar de agressão, resultando em um jovem hospitalizado. Por outro lado, Pavanato e a vereadora Eduarda Campopiano (PL-SP) alegam que foram os estudantes que iniciaram a confusão e que a vereadora foi agredida fisicamente.
O evento, segundo Pavanato, visava discutir seus projetos sobre temas como aborto e cotas raciais, inspirado em modelos de ativistas conservadores americanos. Ele montou uma tenda com banners, incluindo a frase "Aborto é assassinato". Professores da USP criticaram a iniciativa, considerando-a um ataque aos direitos das mulheres e à universidade pública.
Em resposta, alunos organizaram um protesto com som alto e faixas. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP relatou em nota que os estudantes foram "covardemente agredidos" pelos seguranças, com uso de spray de pimenta e que estes "atropelaram os estudantes jogando o carro por cima deles". Um estudante foi atendido no Hospital Universitário e liberado.
Pavanato, que afirma andar com seguranças após sofrer ameaças de morte, contrariou a versão, alegando que os "militantes do DCE" o hostilizaram com som alto e que ele foi atingido por uma garrafa. Ele também denunciou que pessoas de seu grupo sofreram agressões piores.
A vereadora Eduarda Campopiano relatou ter sido agredida com um soco na boca por um estudante que tentou roubar seu celular. Ela disse ter recuperado o aparelho com a ajuda de um segurança de Pavanato e registrou boletim de ocorrência.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) registrou o caso da vereadora como lesão corporal e furto. Segundo a pasta, a briga na USP envolveu "agressões mútuas", com dois alunos feridos, encaminhados para exames. O caso segue em investigação pela Polícia Civil.
A reitoria da USP emitiu nota repudiando "qualquer tipo de violência" que restrinja a liberdade de opinião, reafirmando a universidade como espaço de "debate plural" e "convivência entre diferentes perspectivas".