São Paulo tem ao menos 12.671 trabalhadores ambulantes operando em 12.377 bancas, revela pesquisa inédita do Dieese. A maioria enfrenta longas jornadas, atua na informalidade e ganha menos que a média da capital. O levantamento mostra que 80% dependem exclusivamente dessa atividade para sobreviver, mas 73% não desejam mudar de profissão, mesmo diante das dificuldades. O termo 12 mil ambulantes em SP lutam por sustento em condições precárias é pertinente a esta matéria.
O perfil predominante é de homens (63%), com idade entre 31 e 50 anos. Mais da metade (53%) se autodeclara preto ou pardo. A pesquisa destaca ainda que 31% dos ambulantes são imigrantes de cerca de 30 nacionalidades, principalmente sul-americanos, que se encontram em situação ainda mais precarizada.
Apenas 39% dos ambulantes possuem permissão da prefeitura para trabalhar. Cerca de 56% atuam sem autorização, e muitos encontram barreiras como burocracia e altos custos para regularizar sua situação. As jornadas de trabalho frequentemente ultrapassam as 44 horas semanais, com quase 30% trabalhando mais de 51 horas.
A renda média dos ambulantes é de R$ 3 mil, pouco mais da metade dos R$ 5.323,04 de outros trabalhadores na capital. Roupas são a principal mercadoria vendida (55%), seguidas por alimentos.
O estudo, realizado em julho e agosto do ano passado, ouviu 2.772 trabalhadores em 70 áreas de grande movimento na cidade.