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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Vorcaro aponta"máfia"e tensão em negociação do Banco Master

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relatou em mensagens à PF que o clima na negociação de venda do banco para o BRB era de tensão, com influência de concorrentes sobre o Banco Central.

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Vorcaro aponta"máfia"e tensão em negociação do Banco Master

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relatou em mensagens interceptadas pela Polícia Federal um clima de tensão e atuação de concorrentes durante a negociação de venda do banco para o BRB, controlado pelo GDF. Vorcaro expressou descontentamento com a influência de outras instituições sobre o Banco Central, o que, segundo ele, estaria dificultando o negócio.

"Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal", disse Vorcaro em abril do ano passado, em conversa com sua namorada, Martha Graeff. Ele também mencionou que problemas haviam sido criados artificialmente, mas que precisava resolvê-los.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado devido a uma grave crise de liquidez. O BC apurou que a instituição não possuía recursos para honrar seus compromissos de curto prazo. Investigações apontam ainda que o Master vendeu carteiras de crédito ao BRB supostamente falsas, causando prejuízos ao banco público.

A atuação da gestora Reag, também liquidada, está sob investigação, por supostamente inflar ativos de forma artificial. Com a crise, o Master buscou compradores e chegou a anunciar a venda de controle para o BRB, negada pelo BC.

Em abril de 2024, Vorcaro relatou ter se reunido com o banqueiro André Esteves, do BTG. Segundo as mensagens, Esteves teria apresentado uma proposta e aconselhado Vorcaro a "esquecer o BRB", alegando que o BTG "entra na mente" dos integrantes do Banco Central.

"Você não acredita nas frases de hoje. Eu levei o Augusto para eu ter uma testemunha. Pelo menos eu consegui dar risada depois, porque o Augusto é engraçado imitando. André disse que era o maior banqueiro do mundo. E ele era Deus que apareceu na nossa vida. Que tínhamos que agradecer a Deus a proposta dele. E esquecer o BRB", escreveu Vorcaro. A PF identificou Augusto como Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

Vorcaro afirmou ter ido à reunião a pedido do Banco Central, pois Esteves seria "ardiloso" e "entra na mente dos caras do Bacen".

Na época, o BTG negociava a compra de parte dos ativos do Master. Em nota, o banco declarou que "nunca houve interesse na aquisição do Banco Master; nossa atuação limitou-se à aquisição estratégica de ativos específicos e saudáveis, visando prover liquidez à instituição em janelas pontuais de mercado".

Vorcaro também mencionou supostas tentativas de influência de bancos contrários à operação, que precisava de aprovação do BC e outras autoridades. "Amor, tá bem tenso. Turma dos bancos tá furiosa e ontem plantaram varias notícias. Vai ser uma semana de retaliação contra mim. Estão muito indignados que deu certo (...) Começam a plantar coisas para atrapalhar o Banco central e autoridades que precisam aprovar operação", relatou em março de 2025.

Em abril de 2024, Vorcaro soube que o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, teria mencionado sua casa em Miami em conversas internas. "Acredita que o presidente do Bacen já falou da nossa casa? (...) Nada demais. Só te dizendo. Todo mundo fica sabendo tudo hoje", disse Vorcaro.

Fonte: O Globo

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