O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) se defendeu nesta terça-feira (3) das críticas sobre ter utilizado um jato particular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado por fraudes fiscais, durante a campanha eleitoral de 2022. Ferreira afirmou que não foi o responsável pela contratação do transporte e questionou sua responsabilidade sobre atos futuros de terceiros.
Segundo o deputado, o voo ocorreu a convite para um evento e a logística foi organizada por terceiros, que contrataram uma empresa da qual Vorcaro era sócio. Ferreira também citou viagens de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e insinuou que as acusações visam desviar o foco das críticas ao governo federal.
A informação sobre os voos foi divulgada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. De acordo com a reportagem, o jatinho foi usado em ao menos nove estados e no Distrito Federal durante dez dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, em deslocamentos para angariar votos em regiões onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve maioria na primeira rodada.
Em resposta, o deputado Rogério Correia (PT-MG) anunciou um requerimento para que Ferreira seja convocado a depor, questionando o interesse de Vorcaro na eleição de Jair Bolsonaro. Já o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) ironizou a proximidade entre Ferreira e Vorcaro, mencionando a igreja do pastor André Valadão.
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também criticaram Ferreira, atribuindo a investigação do caso à Polícia Federal durante o governo Lula e ironizando manifestações bolsonaristas convocadas pelo deputado.
Na oposição, Renan Santos, fundador do MBL, ironizou o episódio, afirmando que a "caravana do amor" de Ferreira era financiada por Vorcaro.