O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ingressou formalmente na equipe de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma estratégia que remete à atuação do PT em 2018. Naquele ano, Fernando Haddad tornou-se advogado de Luiz Inácio Lula da Silva enquanto o petista cumpria pena em Curitiba. A manobra permitiu a Lula discutir sua estratégia eleitoral de dentro da prisão. Agora, a inclusão de Flávio no processo de execução penal de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses pela trama golpista, visa possibilitar que o ex-presidente participe mais ativamente das articulações políticas para 2026, incluindo a pré-candidatura de Flávio à Presidência.
A decisão de Flávio se dá após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, negar novamente o pedido para que Bolsonaro cumpra pena em regime domiciliar. Com a inclusão formal nos autos, Flávio terá acesso integral ao processo e poderá protocolar petições e participar das estratégias jurídicas. Além disso, como advogado constituído, poderá visitar o pai diariamente na unidade prisional em Brasília, um benefício que se soma às visitas regulares permitidas a familiares.
O senador, com inscrição na OAB do Rio de Janeiro e no Distrito Federal, já atuou em casos no STJ e STF. O Estatuto da OAB permite o exercício da advocacia por parlamentares, com restrições para causas que envolvam diretamente a União e suas autarquias. Flávio Bolsonaro já assinou defesas em processos envolvendo ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, policiais militares e em uma ação trabalhista no STF.