A ex-secretária Aline de Sá Cabral confirmou em depoimento à CPI do INSS que tinha acesso ao cofre do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Ela admitiu que retirava dinheiro para pagamentos e tarefas do lobista, figura central em um esquema de desvio de aposentadorias. O cofre ficava na empresa Brasília Consultoria.
Questionada sobre a possibilidade de ter repassado dinheiro para pagamento de propina a mando de Antunes, Aline respondeu laconicamente: "Não lembro. Pode ser que sim, mas não me lembro." Ela afirmou que qualquer retirada de dinheiro do cofre só ocorria com autorização do empresário e que não se recorda de ter separado valores para tal finalidade.
A ex-assessora negou ter comprado passagens aéreas para o empresário e Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Segundo reportagem do "Estado de S. Paulo", Lulinha teria viajado a Portugal em 2024 com custos pagos pelo lobista. Aline declarou que à época já havia sido promovida a gestora de recursos humanos em outra empresa do lobista.
Ainda em seu depoimento, a ex-secretária mencionou ter negociado a compra de uma casa em Trancoso, na Bahia, para Antunes, com Danielle Miranda Fontelles, marqueteira do PT. Aline se apresentou como funcionária pessoal do lobista, responsável por gerenciar compras, passagens e registros de imóveis.
Apesar de ter inicialmente declarado que se manteria em silêncio, Aline de Sá Cabral respondeu a diversas perguntas. Ela negou ter feito anotações sobre percentuais de propina destinados a dirigentes do INSS, conforme suspeita da Polícia Federal. Sobre o conhecimento de entidades envolvidas nas fraudes, a ex-secretária preferiu não se pronunciar.
O advogado Cecílio Galvão, que teria recebido R$ 4 milhões de entidades sob suspeita de desviar fundos de aposentados, não compareceu à CPI. O colegiado busca sua condução coercitiva.
A sessão da CPI, que havia sido marcada por tumultos na semana anterior devido à aprovação da quebra de sigilo de Lulinha. Alcolumbre decide caso Lulinha em meio a tensão Senado-Planalto, retomou seus trabalhos normalmente. Parlamentares governistas expressaram insatisfação com a votação em bloco de 87 requerimentos, incluindo a quebra de sigilo. O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), manteve a decisão e aguarda confirmação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Fonte: G1