A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã já projeta sombras sobre a economia mundial. Especialistas alertam para um provável aumento no preço do petróleo, a valorização do dólar e do ouro, e o risco de pressões inflacionárias em diversos países.
O barril de petróleo Brent, referência internacional, que já vinha em alta, pode ultrapassar a marca dos US$ 100, segundo analistas, diante da instabilidade na região. O Irã, oitavo maior produtor mundial de petróleo, tem sua capacidade de exportação ameaçada por tensões no Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de cerca de 25% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) consumidos globalmente.
O anúncio iraniano de que nenhum navio seria autorizado a passar pelo estreito, embora não confirmado oficialmente, já causa apreensão. Empresas de navegação e petroleiras foram instruídas a manter distância da área, e dados indicam uma queda drástica no tráfego de embarcações. Especialistas temem que um fechamento prolongado do estreito possa levar a uma recessão mundial.
Em meio à incerteza, investidores buscam refúgio em ativos considerados mais seguros. Espera-se uma valorização do dólar, do ouro e de títulos do tesouro americano, enquanto moedas de mercados emergentes, como o real brasileiro, podem sofrer desvalorização.
Os impactos se estendem ao setor aéreo. Milhares de voos já foram atrasados ou cancelados em grandes hubs, como Dubai e Doha, configurando a maior interrupção no transporte aéreo global desde a pandemia de Covid-19. Companhias aéreas podem sentir o reflexo no mercado, embora as operações globais continuem em sua maioria.
No Brasil, petroleiras como Petrobras, Prio e Petro Recôncavo podem se beneficiar da alta do petróleo, dependendo do desenrolar da crise. No entanto, a longo prazo, a instabilidade global, somada a outras incertezas econômicas, pode afetar países de renda média, como o Brasil, que dependem de um cenário internacional estável para investimentos e relações comerciais.
Analistas apontam que a instabilidade gerada pelo conflito se soma a outras desordens nas relações econômicas internacionais, dificultando o planejamento de investimentos e gerando um cenário de incerteza prolongada para os próximos anos.