A OpenAI fechou um acordo para fornecer seus modelos de inteligência artificial para a rede confidencial do Departamento de Defesa dos EUA. A decisão ocorre após o Pentágono romper relações com a Anthropic, concorrente da OpenAI, citando preocupações com vigilância e armas autônomas. O rompimento com a Anthropic foi classificado como um "risco à cadeia de fornecimento", levando à perda de contratos com o governo americano. Anteriormente, o ex-presidente Donald Trump já havia proibido agências federais de utilizarem ferramentas da Anthropic.
Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmou que o acordo com o Departamento de Defesa reflete os princípios da empresa sobre a proibição de "vigilância doméstica em massa e a responsabilidade humana pelo uso da força, inclusive no caso de sistemas de armas autônomas". A startup também implementou salvaguardas para garantir o comportamento esperado de seus modelos.
O Pentágono não comentou se os serviços da OpenAI substituiriam os da Anthropic. Horas antes, o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou um prazo de seis meses para que a Anthropic transferisse seus serviços de IA para outro fornecedor, declarando que "os combatentes da América nunca serão mantidos reféns pelos caprichos ideológicos das big techs".
A Anthropic, que possui políticas contra o uso de sua tecnologia para vigilância de americanos ou ataques sem intervenção humana, declarou que "nenhuma quantidade de intimidação ou punição do Departamento de Guerra mudará nossa posição sobre vigilância doméstica em massa ou armas totalmente autônomas". A empresa alegou que os termos oferecidos pelo Pentágono não foram suficientes para garantir o cumprimento de suas restrições.
O acordo da OpenAI com o Pentágono sinaliza uma divisão entre o governo Trump e a Anthropic, que conta com apoio significativo no Vale do Silício. Altman incentivou o Departamento de Defesa a oferecer os mesmos termos a todas as empresas de IA.
Dario Amodei, CEO da Anthropic e ex-funcionário da OpenAI, deixou a empresa em 2020 devido a preocupações com a priorização de comercialização em detrimento da segurança. A OpenAI, que se converteu de organização sem fins lucrativos para empresa com fins lucrativos, atualizou sua política em 2024 para permitir o uso militar de sua tecnologia.
Tanto a Anthropic quanto a OpenAI buscam ofertas públicas iniciais, aproveitando o interesse dos investidores em IA. A OpenAI recentemente levantou US$ 110 bilhões, avaliada em US$ 730 bilhões, enquanto a Anthropic arrecadou US$ 30 bilhões. Amodei e Altman têm divergido publicamente sobre as prioridades de suas empresas.
Fonte: Globo.com