O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), anunciou nesta quinta-feira (26) que solicitará ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a anulação da sessão da CPI do INSS que aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Randolfe, a votação foi fraudada e classificada como uma "atitude desonesta".
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aprovou um pacote com mais de 80 requerimentos em bloco, incluindo a quebra de sigilo de Fábio Luís, de uma empresária próxima a ele, de uma ex-publicitária do PT e do ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima. Pedidos de prisão, novas convocações e solicitações de informações a órgãos públicos e empresas investigadas também foram aprovados.
A sessão foi marcada por confusão após a votação simbólica, na qual os votos individuais não foram computados. Parlamentares governistas protestaram, alegando que a contagem feita pelo presidente da CPI, Carlos Viana (PSD-MG), não refletiu a realidade. Deputados como Rogério Correia (PT-MG), Paulo Pimenta (PT-RS) e Alencar Santana (PT-SP) acusaram Viana de "golpe" e desonestidade na contagem.
A base governista afirma que 14 parlamentares se levantaram contra o pacote de requerimentos, mas Viana teria contado apenas sete. O pedido de anulação da votação por erro material, feito pelo deputado Paulo Pimenta, foi rejeitado por Viana, que argumentou que a votação simbólica é prevista no regimento interno da Casa.
A CPI investiga a cobrança irregular de mensalidades associativas em benefícios previdenciários, suspeitando de um esquema envolvendo entidades de fachada, consultorias e bancos no crédito consignado. O pedido de quebra de sigilo de Fábio Luís foi justificado pela suspeita de que ele atuou como sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A sessão da CPI já havia sido tensa com o adiamento da oitiva do banqueiro Daniel Vorcaro e a convocação da empresária Ingrid Pikinskeni, esposa de Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador financeiro da Conafer. Ingrid negou envolvimento em irregularidades, mas passou mal e deixou a sessão chorando, o que levou à suspensão do depoimento.
Fonte: O Globo