O texto do Projeto de Lei Antifacção aprovado pela Câmara dos Deputados pode inviabilizar a punição das lideranças máximas do crime organizado no Brasil. A avaliação é de Mario Sarrubbo, ex-secretário nacional de Segurança Pública. Segundo ele, a lei, na versão atual, "atingirá apenas a base das organizações criminosas", deixando de lado os chefes.
Sarrubbo, em entrevista à Rádio Nacional nesta quinta-feira (26), criticou a exclusão de mecanismos que permitiriam o financiamento do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) a partir da taxação de apostas online (bets). Ele estima que R$ 30 bilhões deixaram de ser destinados ao combate ao crime organizado.
"A Câmara não quis dar recursos para esse fundo por razões políticas", afirmou Sarrubbo, ressaltando que a intenção era "atingir os que atuam na Faria Lima e em Fintechs; quem financia essas organizações criminosas". Ele defende que a estratégia para desarticular as facções é cortar o fluxo financeiro, "asfixiar financeiramente as facções criminosas".
A versão aprovada na Câmara desconsiderou alterações feitas no Senado, o que, para Sarrubbo, prejudica o combate efetivo. Ele argumenta que a Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, não porta fuzis, mas é crucial para o financiamento de grupos como o PCC, conforme apontado em investigações como a Operação Carbono Oculto.