Nova Délhi, Índia – A Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial (IA) em Nova Délhi expôs a crescente disputa entre OpenAI e Anthropic, as duas maiores empresas do setor. O evento, que reuniu líderes globais e gigantes da tecnologia, serviu de palco para a demonstração pública da rivalidade entre os CEOs Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic. Durante uma sessão de fotos com autoridades indianas e líderes de outras big techs, como Microsoft e Google, Altman e Amodei se recusaram a apertar as mãos, mantendo os punhos fechados, um gesto que simboliza a acirrada competição.
A disputa esquentou recentemente com campanhas publicitárias. A Anthropic veiculou um comercial durante o Super Bowl criticando a OpenAI pela introdução de anúncios no ChatGPT, destacando que seu chatbot, Claude, permaneceria livre de publicidade. A jogada pareceu surtir efeito, com um aumento de 6,5% no uso do Claude, segundo o BNP Paribas. Sam Altman rebateu as críticas em suas redes sociais, classificando o anúncio da rival como desonesto e acusando o Claude de ser um produto voltado para “pessoas ricas”.
Diferente de rivalidades passadas entre gigantes como Apple, Microsoft e Google, que mantêm relações complexas e colaborativas, OpenAI e Anthropic disputam os mesmos nichos de mercado. Ambas oferecem produtos similares, como chatbots e modelos avançados de IA, buscam os mesmos investidores e lutam para alcançar a lucratividade. Enquanto a Apple foca em hardware, o Google em buscas e a Meta em redes sociais, OpenAI e Anthropic se concentram em ser a principal empresa de IA do mundo.
A liderança do ChatGPT em chatbots diminuiu, caindo de 69,1% em janeiro de 2025 para 45,3% em fevereiro, segundo dados da Apptopia. No entanto, a OpenAI ainda lidera em tempo de uso. A Anthropic, por sua vez, tem ganhado espaço entre desenvolvedores e clientes corporativos com modelos como o Claude 4.6 Sonnet e o agente Claude Cowork, além de liderar em métricas de engajamento.
A competição se estende à contratação de talentos. Recentemente, a OpenAI contratou Peter Steinberger, criador do agente de IA OpenClaw, após a Anthropic ter tido contato inicial com ele. O movimento ocorreu depois que a Anthropic considerou ações legais contra o desenvolvedor.
Em termos de investimento, a OpenAI deve receber um aporte de US$ 100 bilhões, elevando seu valor de mercado para US$ 850 bilhões. A Anthropic, que recentemente levantou US$ 57 bilhões, foi avaliada em US$ 380 bilhões. Investidores como Sequoia Capital, Amazon, Nvidia e Microsoft apostam em ambas as empresas, uma prática incomum no setor.
As projeções financeiras indicam desafios para ambas. A Anthropic espera atingir o ponto de equilíbrio em 2028, enquanto a OpenAI prevê perdas operacionais de US$ 74 bilhões em dois anos e um gasto 14 vezes maior que o da rival antes de alcançar a lucratividade em 2030. A Anthropic optou por focar em modelos de IA mais enxutos, como chatbots, para otimizar a operação, enquanto a OpenAI investe pesadamente em infraestrutura.
A rivalidade tem raízes na origem da Anthropic, fundada em 2021 por 15 ex-funcionários da OpenAI. Eles divergiam da direção comercial que Sam Altman imprimia à empresa, temendo que o desenvolvimento seguro da tecnologia fosse comprometido. A saída culminou após uma tentativa frustrada de remover Altman do comando. Dario Amodei, um dos fundadores da Anthropic, sempre defendeu uma abordagem mais cautelosa, cunhando o termo “IA constitucional” para descrever modelos com princípios de segurança embutidos. Embora ambos os líderes tenham moderado suas visões mais distópicas, as preocupações com a segurança da IA persistem, como evidenciado pela recente demissão de um pesquisador de segurança da Anthropic por receios sobre a tecnologia.
Fonte: O Globo