A Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial (IA) em Nova Deli, Índia, encerrou nesta sexta-feira (20) com foco em avanços tecnológicos e investimentos, mas deixou em segundo plano discussões cruciais sobre governança global, concentração de mercado, impacto ambiental e direitos humanos. O evento, que atraiu 250 mil participantes, posicionou a Índia como uma "terceira via" entre Estados Unidos e China no cenário da IA.
Grandes empresas de tecnologia, como Google e Microsoft, anunciaram investimentos bilionários em infraestrutura de IA na Índia, buscando demonstrar um compromisso com o Sul Global. A OpenAI e a Anthropic também anunciaram a abertura de escritórios no país.
Apesar do otimismo com os anúncios financeiros, o modelo de governança da IA enfrentou impasses. A Casa Branca rejeitou a proposta da ONU de criar um mecanismo internacional de governança, enquanto a secretária-geral da ONU anunciou a criação de um painel para o "controle humano" da IA. Especialistas lamentam a falta de um espaço global para pactuar regras mínimas e padrões comuns, comparando a situação atual com a governança da internet.
Organizações da sociedade civil criticaram a cúpula por sua limitação e falta de propostas vinculantes, ressaltando a ausência de métodos multissetoriais de governança e a importância da participação da sociedade civil.
A Suíça assumirá a organização da próxima cúpula em 2027, com a expectativa de que questões como a reaproximação com a ONU e a reintrodução das discussões sobre direitos humanos sejam abordadas.