Uma pesquisa do instituto Ideia revelou que 61,1% dos evangélicos consideraram a ala "Família em Conserva", da escola de samba Acadêmicos de Niterói, uma ofensa à liberdade religiosa ou uma representação preconceituosa. A ala, que homenageou o presidente Lula (PT) na Sapucaí, trazia famílias dentro de latas, algumas com referências religiosas.
O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (20/02/2026), indica que 11% dos evangélicos viram a ala como uma crítica artística legítima, enquanto 8,7% a consideraram uma sátira aceitável. Outros 19,2% não souberam opinar. A percepção majoritária, portanto, aponta para ofensa e preconceito.
Segundo a pesquisa, três quartos do segmento tomaram conhecimento da ala. A oposição e as frentes evangélica e católica divulgaram notas criticando o desfile.
O episódio intensifica a polarização religiosa e política. Quase metade dos evangélicos (48,3%) avalia que a ala aumenta a polarização ou normaliza a discriminação simbólica. Para 38,2%, a ala provoca reflexão crítica ou amplia o debate público, e 13,4% não veem impacto relevante.
Mais de um terço dos evangélicos (35,1%) acredita que a reação seria mais intensa se outro grupo religioso fosse retratado da mesma forma. A pesquisa ouviu 656 evangélicos de 315 municípios em 18 de fevereiro, com margem de erro de 3,8 pontos.
A homenagem a Lula pode ter impacto eleitoral, visto que 61% dos evangélicos desaprovam a gestão do presidente, segundo pesquisa Genial/Quaest. Lideranças petistas admitem a necessidade de gestos ao segmento. O governo reagiu à crise, com o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, afirmando que críticas ao presidente foram impulsionadas intencionalmente para criar um "debate falso" e caracterizando a ação como "oportunismo eleitoral". O PT avalia representação no TSE.