Bryan Swanson, diretor de Relações com a Mídia da Fifa, publicou um artigo nesta semana relatando sua experiência como homem gay na cúpula do futebol mundial. Swanson defende a estratégia da entidade de promover mudanças por meio de diálogo e diplomacia, em vez de boicotes a países com leis anti-LGBTQ.
Swanson afirmou ter recebido apoio interno ao se declarar gay publicamente durante a Copa do Mundo de 2022, no Catar. Ele se sentiu confortável para falar sobre sua orientação sexual em Doha, antes da abertura do torneio. O dirigente questiona a coerência de governos e organizações que defendem boicotes esportivos, mas mantêm relações comerciais com os mesmos países.
“Por que esperar que o futebol resolva todos os problemas do mundo?”, escreve Swanson, citando iniciativas internas da Fifa como redes de funcionários LGBTQ, campanhas contra o racismo e acordos com entidades de futebol inclusivo. Ele também menciona o aumento de repasses financeiros a federações nacionais e programas de desenvolvimento com diretrizes sobre diversidade.
A manifestação reacende o debate sobre o papel político da Fifa. A Copa do Catar foi alvo de críticas de entidades de direitos humanos e grupos LGBTQ por causa das leis do país que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo. Houve controvérsias sobre o uso de braçadeiras com mensagens pró-diversidade e a exibição de símbolos do arco-íris em estádios.
Organizações da sociedade civil pressionam a Fifa por critérios mais rigorosos de direitos humanos na escolha de sedes. Dirigentes da entidade argumentam que o futebol global pode gerar avanços graduais em ambientes restritivos a minorias.
A discussão ganha novo fôlego às vésperas da Copa de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México, quando a entidade será cobrada sobre o limite entre diplomacia esportiva e posicionamento político.
Fonte: O Globo