O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), atribui ao presidente Lula a recente entrega pela Polícia Federal (PF) de um relatório sobre suas conexões com Daniel Vorcaro ao STF. Toffoli deixou a relatoria do caso Master após pressão de colegas.
A fontes próximas, Toffoli expressou convicção de que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, agiu a mando de Lula ao enviar o dossiê de cerca de 200 páginas para o STF. O relatório detalha ligações, mensagens e transações envolvendo o ministro e Vorcaro.
Toffoli também considera a reunião de Lula com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, horas antes de sua saída do caso, como um indicativo. Como PGR, Gonet pode pedir a suspeição de Toffoli.
Uma antiga mágoa, segundo Toffoli, seria o motivo para Lula autorizar a ação da PF. Em 2019, Toffoli, então presidente do STF, negou o pedido de Lula para comparecer ao enterro do irmão, Vavá, enquanto cumpria pena em Curitiba. A decisão, tomada no dia seguinte ao pedido e minutos antes do sepultamento, gerou críticas de aliados de Lula.
O ministro também relembra a aproximação de Toffoli com Jair Bolsonaro, então presidente, em 2018 e 2019, com elogios e encontros públicos. Após a eleição de Lula em 2023, Toffoli buscou reaproximação, chegando a classificar a Lava-Jato como "PAU DE ARARA DO SÉCULO 21".
Apesar da reconciliação entre Lula e Toffoli no fim de 2024, o ministro acredita que a mágoa persiste. Em dezembro de 2025, o presidente e Toffoli almoçaram com Fernando Haddad, discutindo o caso Master.