Ir para o conteúdo

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

INVESTIGAÇÃO

Mensagens indicam pressão a banqueiro por pagamentos a resort ligado a Toffoli

Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que ele foi pressionado a fazer repasses milionários para um resort ligado ao ministro Dias Toffoli. Diálogos com o cunhado, Fabiano Zettel, foram divulgados pela PF.

Compartilhe
WhatsApp
Mensagens indicam pressão a banqueiro por pagamentos a resort ligado a Toffoli

O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, relatou em mensagens de celular ter sofrido pressão para efetuar pagamentos ao resort Tayayá, empreendimento com participação societária de uma empresa ligada ao ministro do STF Dias Toffoli. As conversas foram obtidas pela Polícia Federal e divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

As mensagens indicam que Vorcaro autorizou repasses que somam R$ 35 milhões ao resort, localizado em Ribeirão Claro (PR). Os diálogos, que constam em relatório da PF enviado ao STF, reforçaram a pressão para que Toffoli deixasse a relatoria de casos envolvendo o Banco Master. O ministro acatou o pedido e se afastou do caso.

Segundo as conversas, o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, atuava como operador financeiro. Em uma das trocas de mensagens, datada de maio de 2024, Vorcaro cobra Zettel sobre um aporte: "Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim". Zettel respondeu e, em seguida, encaminhou uma lista de pagamentos com a indicação "Tayaya - 15", possivelmente R$ 15 milhões. Vorcaro determinou: "Paga tudo hoje".

Em agosto de 2024, Vorcaro voltou a questionar Zettel sobre os pagamentos. Após ser informado que o dinheiro estava "no fundo dono do Tayayá" e que transferiria as cotas.

Toffoli reconheceu nesta semana ser sócio da empresa Maridt, que teve participação no Tayayá. A empresa vendeu sua fatia a fundos de investimento que incluíam Zettel entre os acionistas. Em manifestação anterior, o ministro negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou Zettel e afirmou que sua participação societária foi encerrada antes de assumir a relatoria de ações do Banco Master no STF.

Leia também