As ações da mineradora Vale operam em baixa na B3 nesta sexta-feira, acompanhando o declínio nos preços do minério de ferro. Apesar de um prejuízo contábil de R$ 21 bilhões no quarto trimestre de 2025, que resultou em um lucro líquido anual de R$ 13,8 bilhões (uma queda de 56% em relação a 2024), analistas de mercado direcionam o foco para os indicadores operacionais positivos da companhia.
Por volta das 14h45, as ações da Vale registravam queda de 2,4%, negociadas a R$ 87,10. O prejuízo trimestral foi atribuído a baixas contábeis, incluindo R$ 15,5 bilhões relacionados à avaliação de minas de níquel no Canadá e outro valor similar referente a tributos. Esses lançamentos, segundo a Vale, têm pouco efeito na geração de receita e caixa.
Em contraste, o Ebitda proforma, métrica de geração de caixa, alcançou R$ 26,1 bilhões no quarto trimestre, um aumento de 8% em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado de 2025, o Ebitda somou R$ 88,2 bilhões, alta de 6% impulsionada pela produção de 336 milhões de toneladas de minério de ferro, o maior volume desde 2018, recolocando a Vale na liderança mundial de produção.
O custo de produção foi reduzido, e a dívida líquida diminuiu 5% no final do ano, totalizando US$ 15,6 bilhões. Bancos como BTG Pactual, Itaú, Santander e Genial Investimentos destacaram em relatórios o desempenho operacional, que superou as expectativas em geração de caixa, produção e custos.
Analistas do BTG Pactual, Leonardo Correa e Marcelo Arazi, elogiaram o resultado de produção de 336 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, que superou a meta estabelecida.
Um incidente em janeiro, com vazamento de água e sedimentos em uma mina em Ouro Preto (MG), também foi minimizado. O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, informou que a limpeza da unidade está em andamento e a previsão é de retorno à operação em duas a três semanas, após liberação das autoridades. Pimenta ressaltou que não houve rompimento de barragem ou vazamento de rejeitos e que o impacto na produção total será limitado, especialmente por ser um período de menor atividade devido às chuvas.