Ir para o conteúdo

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

POLÍTICA

Governo reavalia postura sobre redução da maioridade penal e busca avanço em PEC de Segurança

Ministro da Justiça sinaliza abertura para consulta popular sobre redução da maioridade penal em PEC de Segurança Pública. Mudança de tom busca destravar projeto visto como trunfo eleitoral para 2026.

Compartilhe
WhatsApp
Governo reavalia postura sobre redução da maioridade penal e busca avanço em PEC de Segurança

O Governo Federal mudou o tom sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública em tramitação na Câmara dos Deputados. A articulação busca destravar o projeto, visto como um ativo eleitoral para as eleições de 2026. O Ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, declarou que a inclusão de uma consulta popular sobre a redução da maioridade penal para todos os crimes não é um problema, marcando uma virada no discurso oficial.

O substitutivo contempla a hipótese de consulta. Não seria algo imediato. Há debates se a melhor maneira seria referendo, plebiscito, como iria acontecer", afirmou o ministro. Ele acrescentou que "não se pode dizer que uma modalidade de consulta popular como exercício de democracia direta seja em si mesma um mal. A ideia de colocar para a sociedade brasileira esse debate é uma ideia legítima e bem orientada".

A proposta de referendo sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, a ser realizado nas eleições de 2028, foi incluída pelo relator da PEC, o deputado federal Mendonça Filho (União-PE), no final do ano passado. A medida enfrentou resistência do PT e da gestão anterior do Ministério da Justiça, sob o comando de Ricardo Lewandowski, que elaborou a PEC com foco no aumento do papel da União na coordenação de políticas de segurança pública.

Após reunião com Mendonça Filho, Wellington Lima e Silva sinalizou "simpatia" pelo parecer do deputado e comprometeu-se a enviar sugestões de alteração em "alguns pontos". Mendonça Filho classificou o diálogo como "excelente" e "muito proativo".

A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça é vista no Congresso como um fator que diminuiu a resistência ao texto do relator, especialmente quanto ao fim da progressão de regime para membros de facções criminosas e condenados por crimes violentos e reincidentes. Essa medida reverte um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2006, que declarou inconstitucional uma lei que vetava o benefício penal para crimes hediondos. Lewandowski, ex-ministro do STF por 17 anos, teria barreiras em sua visão filosófica, segundo Mendonça.

O relator destacou que a centralização da articulação da PEC na figura do Ministro da Justiça "ajuda a organizar o debate, o diálogo e a negociação". Wellington tem tratado a aprovação da PEC como uma "missão" e demonstrado "empenho", segundo o procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia.

A visão de Wellington sobre a PEC estaria mais alinhada com ministros do governo que foram governadores, como Rui Costa (Casa Civil), que teve divergências com Lewandowski. Apesar de aberto a sugestões, Mendonça Filho considera "inegociável" os artigos que tornam a PEC "mais federativa" e "descentralizada". Críticas anteriores do líder do governo na Câmara, Zé Guimarães (PT-CE), apontavam que o substitutivo de Mendonça reforçava a "centralidade dos Estados" e misturava "reforma constitucional e agenda punitivista".

Mendonça Filho e parlamentares do centro veem o ano eleitoral como um fator favorável à aprovação da medida, argumentando que "interessa a todos" e que a segurança pública é uma demanda social. O presidente da Câmara, Arthur Lira, incluiu a PEC da Segurança como pauta prioritária e prevê acelerar as discussões após o carnaval. A expectativa é que a PEC seja votada em plenário entre o fim de fevereiro e o início de março.

Leia também