O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi afastado do cargo nesta terça-feira (10/02/2026) após a revelação de mais uma denúncia de importunação sexual. O caso levou a uma sessão extraordinária na Corte, onde o clima foi descrito como de "funeral e indignação" por ministros presentes.
Durante a reunião, que contou com a leitura de trechos dos depoimentos das vítimas, o tribunal decidiu pelo afastamento unânime de Buzzi. A primeira acusação, que motivou a instalação de uma sindicância na semana passada, foi apresentada por uma jovem de 18 anos. A segunda denúncia partiu de uma ex-assessora do magistrado.
Relatos indicam que os ministros reagiram com "perplexidade total" e "certo asco" às acusações. Buzzi não participou da sessão e não teve defesa apresentada por seus pares. Durante o afastamento, ele ficará impedido de acessar o local de trabalho, veículo oficial e outras prerrogativas da função.
Ministros também relataram incômodo com abordagens feitas por Buzzi e pessoas ligadas a ele, que teriam entrado em contato com outros magistrados por aplicativos de mensagem e até com o envio de uma carta após o registro da segunda denúncia. Um integrante da Corte considerou o contato indevido.
Em mensagem enviada aos colegas, Buzzi se declarou inocente, afirmou estar "muito impactado" e alegou estar internado para acompanhamento cardíaco e emocional. Ele disse repudiar os fatos, lamentar as mágoas familiares e de convivência, e que provará sua inocência.
O ministro também expressou lamento pelo desgaste ao STJ, mencionando dor, angústia e exposição. A nova acusação foi registrada no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após depoimento de outra suposta vítima, que resultou na instauração de uma nova reclamação disciplinar.
Fonte: O Globo