O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um jantar reservado com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na Granja do Torto, em Brasília, na véspera da abertura do ano judiciário. O encontro, que ocorreu fora da agenda oficial no dia 1º de fevereiro de 2026, serviu para que Lula externasse sua preocupação com as recentes críticas direcionadas à Corte, especialmente após a repercussão negativa do caso envolvendo o Banco Master.
Estiveram presentes os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Durante a conversa, Lula destacou que o debate sobre o código de conduta do STF não acontece em um bom momento, dado o cenário de críticas que os magistrados enfrentam. Ele reiterou a independência das apurações sobre as supostas fraudes do Master e defendeu a atuação da Polícia Federal, do Banco Central e do ex-ministro Ricardo Lewandowski.
A proposta de um código de conduta, bandeira do presidente do STF, Edson Fachin, e com a ministra Cármen Lúcia como relatora, enfrenta resistências internas, inclusive de Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. A indicação de Cármen Lúcia foi interpretada como uma tentativa de proteger a iniciativa das críticas.
Lula não mencionou diretamente o contrato do escritório da esposa de Alexandre de Moraes ou negócios da família de Dias Toffoli ligados ao Master. Segundo relatos, o presidente frisou que o escrutínio sobre figuras públicas no atual contexto político exige cautela.
Poucos dias após o jantar, durante a abertura oficial do ano judiciário, Lula discursou em defesa do papel do STF na democracia, afirmando que a Corte tem agido em estrito cumprimento de sua responsabilidade institucional e como guardiã da Constituição. Ele também mencionou as ameaças enfrentadas por ministros, incluindo o ataque de apoiadores de Bolsonaro e o plano de assassinato que visava autoridades, como o próprio presidente e o ministro Alexandre de Moraes.