Brasil, 8 de fevereiro de 2026
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França ameaça adotar medidas unilaterais contra acordo UE-Mercosul

Nesta sexta-feira (9), a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que adotará medidas “unilaterais” caso o setor agrícola e pecuário do país seja prejudicado pelo acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A França tentou barrar a assinatura do tratado, mas não obteve sucesso.

Aposições da França e protestos agrícolas

Genevard comunicou sua posição durante uma coletiva de imprensa, respondendo ao descontentamento de agricultores franceses, que têm protestado contra a implementação do acordo e contra a gestão da dermatose nodular bovina, doença que afeta o setor.

Questionada sobre se o acordo representa um revés para a França na UE, a ministra defendeu as concessões feitas por Bruxelas aos agricultores europeus desde a assinatura do tratado, em dezembro de 2024, em Montevidéu. Ela ainda afirmou que “a França fez-se ouvir” e advertiu: “Não hesitaremos em adotar unilateralmente medidas quando nossos setores estiverem em risco”.

Medidas exemplares e impacto no setor

Genevard citou como exemplo a suspensão, por um ano, da importação na França de produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, especialmente de origem sul-americana. Essa medida busca proteger os setores locais de produtos considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Decisão da UE e riscos futuros

Na manhã desta sexta-feira, os países da União Europeia autorizaram o acordo com o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai por maioria qualificada durante uma reunião em Bruxelas. Apesar disso, países como França, Polônia, Irlanda e Hungria manifestaram resistência, adiando a ratificação definitiva.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, planeja assinar o acordo no Paraguai em 17 de janeiro, conforme anunciou o chanceler argentino Pablo Quirno. Ainda há incertezas quanto à homologação pelo Parlamento Europeu, cuja maioria de cerca de 150 deputados ameaça recorrer à justiça para bloquear o tratado.

Histórico e desafios do acordo UE-Mercosul

Negociado desde 1999, o tratado visa criar a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo mais de 700 milhões de consumidores na União Europeia e na América do Sul. A assinatura do acordo tem como objetivo harmonizar mercados e ampliar trocas comerciais, especialmente na área agrícola.

Contudo, setores agrícolas do Velho Continente temem a entrada massiva de carne, arroz, soja e mel sul-americanos, o que poderia prejudicar o mercado europeu e diminuir a competitividade de produtos tradicionais, como queijos, vinhos e chocolates.

Perspectivas e possíveis consequências

O setor agropecuário europeu ameaça reagir de forma unilateral caso perceba riscos ao seu desenvolvimento. A decisão de Bruxelas ainda enfrenta resistências políticas e sociais, o que pode atrasar ou modificar a implementação do tratado.

A presidente da Comissão Europeia destacou que “não é o fim da história” e reforçou que o Parlamento Europeu terá papel decisivo na validação final do acordo. A expectativa é que, caso seja aprovado, o tratado beneficie consumidores e empresas de ambas as regiões, mas os desafios políticos permanecem.

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