O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem se empenhado nas últimas semanas para persuadir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a concederem a prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde que Bolsonaro foi preso, Tarcísio tem contatado lideranças do Congresso Nacional, visando avançar um projeto de anistia para os condenados pela tentativa de golpe de Estado ocorrida em 8 de janeiro.
A estratégia de Tarcísio junto ao STF
Nos últimos dias, a articulação do governador se intensificou, especialmente com o ministro Alexandre de Moraes. O principal argumento utilizado por Tarcísio é o estado de saúde do ex-presidente, enfatizando que seria prejudicial à Polícia Federal (PF) se Bolsonaro apresentasse um agravamento de sua condição sob a tutela do Estado. O governador tem mantido conversas telefônicas com Moraes, buscando convencê-lo de que a Superintendência da PF em Brasília não oferece as condições adequadas para garantir a saúde do ex-mandatário.
Condições de saúde de Bolsonaro
Na última sexta-feira, peritos médicos da Polícia Federal concluiram que Bolsonaro necessita passar por uma cirurgia para tratar uma hérnia inguinal bilateral. O ex-presidente passou por uma série de exames para entender a causa das crises frequentes de soluços que vem enfrentando. O laudo da perícia enfatizou a necessidade do reparo cirúrgico em caráter eletivo, informando que o quadro de saúde do ex-presidente se agravou devido ao aumento da pressão interna somado aos episódios de “soluços e tosse crônica”.
Além disso, as sequelas do atentado a faca que sofreu durante a campanha presidencial de 2018 e as intervenções cirúrgicas subsequentes complicam ainda mais sua situação clínica. Assim, Tarcísio argumenta que permitir que Bolsonaro cumpra sua pena em casa é uma questão de saúde pública e responsabilidade do Estado.
A relação de Tarcísio com Bolsonaro e o Congresso Nacional
Apesar de ampliar o diálogo com os integrantes do STF, Tarcísio ainda não solicitou autorização para visitar Bolsonaro na carceragem da PF. Contudo, ele demonstrou otimismo, afirmando a interlocutores que acredita que será capaz de visitar o ex-presidente em sua residência em breve.
Neste mesmo contexto, o Senado recentemente aprovou o Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, que propõe a diminuição das penas para os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, afetando de maneira positiva a situação de Bolsonaro. No entanto, o presidente Lula (PT) já anunciou sua intenção de vetar o projeto, embora exista a possibilidade de que o Congresso consiga derrubar este veto.
As implicações políticas da situação
A situação atual não é apenas uma questão legal, mas também um evento significativo no cenário político brasileiro. Pela primeira vez na história, um ex-presidente está detido por tentativa de golpe, e a proposta de anistia gerou intensas discussões. O presidente Lula mencionou, durante um evento recente, que a redução das penas um desvio inaceitável, defendendo que a justiça precisa ser feita com rigor. “Com todo respeito aos deputados e senadores que votaram pela redução da pena, eu quero dizer que vou vetar essa lei. E se quiserem, que derrubem”, afirmou Lula.
As mobilizações em torno do caso de Bolsonaro refletem não apenas uma luta pessoal do ex-presidente por liberdade, mas uma tensão política que reverbera em todo o país, exigindo atenção e engajamento da população para as direções que o Brasil pode tomar nos próximos meses.
À medida que o cenário se desenrola, a expectativa por uma decisão do STF sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro continua a ser um dos pontos altos da política brasileira atual, com desdobramentos que podem impactar o futuro imediato do governo e as relações entre as esferas do poder.














