O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à presidência, surpreendeu ao colocar em dúvida a possibilidade de apoio do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, durante sua campanha eleitoral. Em uma entrevista ao canal LeoDias TV, o parlamentar expressou reservas sobre como a associação com Trump poderia afetar sua imagem política. A declaração veio à tona logo após a confirmação de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, teve seu nome removido do rol de sancionados pela Lei Magnitsky, uma decisão que gerou reações contrastantes, inclusive entre os bolsonaristas.
A reação às sanções e a posição de Flávio Bolsonaro
Em suas declarações, Flávio Bolsonaro negou que a remoção das sanções evidenciasse um enfraquecimento do clã Bolsonaro. Ele defendeu a atuação de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos. Segundo Flávio, as sanções impostas ao Brasil e a Lei Magnitsky nunca foram uma manobra de Eduardo, mas sim uma defesa dos interesses americanos pelo governo de Trump.
— As sanções que foram impostas ao Brasil e a Lei Magnitsky não foram manipulação do Eduardo. As empresas e os cidadãos americanos perseguidos pelo Moraes sempre foram os interesses do Trump. Acreditar que o Eduardo manipula o Trump, isso não dá. Não tem nada a ver com a minha candidatura. Nem sei se é bom ter Trump colado com a minha imagem — destacou Flávio.
A retirada das sanções e suas implicações
A remoção dos sancionados pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA não veio acompanhada de explicações, o que suscitou questionamentos sobre as razões por trás dessa decisão. A movimentação ocorre em um momento de distensionamento nas relações entre o governo Trump e a administração de Luiz Inácio Lula da Silva. Vale lembrar que, em julho, Moraes foi sancionado pelo governo Trump, sendo acusado de conduzir uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, atuação que culminou numa condenação de 27 anos e 3 meses de prisão ao ex-mandatário.
Esse contexto gerou um alvoroço nas redes sociais, onde muitos bolsonaristas expressaram sentir-se “abandonados” pelas autoridades americanas após a retirada das sanções. A mudança de postura dos Estados Unidos repercutiu negativamente entre simpatizantes do bolsonarismo, que consideram a ação uma traição.
Desconforto com apoios e a cena política atual
Durante a mesma entrevista, Flávio Bolsonaro comentou sobre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que foi visto aplaudindo Alexandre de Moraes em uma cerimônia recente. Flávio observou que Tarcísio estava “claramente desconfortável” ao prestar essa homenagem, insinuando que o apoio do governador a Moraes poderia não refletir uma verdadeira concordância.
— Eu acho o Tarcísio um cara fenomenal, mas sinceramente, quando vejo a cara dele, ele está completamente desconfortável. Não é um aplauso de concordância. É meio protocolar. Eu não aplaudiria. Teria levantado e ido embora — declarou o senador.
Aplaudindo a ‘verdade’ e a visão do governador
No evento que destacou o aplauso de Tarcísio, ele se pronunciou acerca da importância de se construir uma convergência e que debates aconteçam na “arena política”. Contudo, essa postura gerou críticas entre os bolsonaristas, que preferem ver Flávio como uma alternativa viável ao Planalto para as eleições de 2026.
— A verdade venceu hoje. O presidente se recorda que, em julho, quando o Supremo se reuniu para tratar dessas sanções contra o Judiciário brasileiro, eu pedi a ele que não ingressasse com nenhuma ação, que não tomasse nenhuma medida contra isso. Porque eu acreditava, como continuei acreditando, e hoje isso fica muito claro, que no momento que chegasse às autoridades norte-americanas, a verdade prevaleceria — afirmou Moraes em sua participação no evento.
Esta série de eventos evidencia um quadro político em transformação, onde apoios e desavenças moldam cada vez mais as estratégias para as eleições que se aproximam. Com Flávio Bolsonaro tentando aparar arestas e se posicionar de forma clara neste cenário, as expectativas são altas para os próximos capítulos na política brasileira.














