O ex-deputado André Moura (União), atual secretário de governo do governador Cláudio Castro (PL) no Rio de Janeiro, prepara-se para disputar uma vaga no Senado por Sergipe nas eleições de 2026. A caminhada política de Moura ganhou novos contornos após um acordo que resultou na extinção de uma condenação que o tornava inelegível, permitindo que ele explore suas ambições eleitorais.
Contexto da condenação de André Moura
André Moura foi condenado em 2021 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por desvio de recursos públicos. A acusação envolvia o uso de verba da prefeitura de Pirambu (SE) para custear despesas pessoais, incluindo a compra de bebidas alcoólicas. Essa condenação impediu Moura de concorrer nas eleições de 2022, resultando em sua desistência em participar do pleito.
Entretanto, em 2023, Moura conseguiu firmar um acordo de não persecução penal, comprometendo-se a devolver uma quantia aproximada de R$ 300 mil para a prefeitura como forma de reparar os danos. A punibilidade foi declarada extinta pelo STF em maio deste ano, levando Moura a acreditar que está livre de impedimentos jurídicos para mais uma empreitada eleitoral.
Armadilhas do passado e articulação politica
Os episódios que cercaram a condenação de Moura revelam uma trama complexa de desvios de recursos na gestão municipal. Entre 2005 e 2007, o ex-deputado foi identificado como o responsável por gastos que não condiziam com a função pública que exercia. Segundo investigações do Ministério Público de Sergipe, foram utilizadas notas fiscais “maquiadas” para justificar despesas em alimentos, que na verdade eram para consumo próprio e de seu círculo pessoal.
Um caso emblemático envolveu uma retirada de 5 caixas de cerveja, documentada por assinaturas da esposa de Moura, o que gerou na época enorme repercussão sobre a utilização do dinheiro público em benefício pessoal. Além disso, uma conversa telefônica gravada, fruto da Operação Navalha, entre Moura e um membro do Tribunal de Contas do Estado, levantou ainda mais suspeitas sobre sua atuação e contatos com autoridades.
Desafios e contratempos políticos
Em sua nova fase política, o ex-deputado tem buscado articular apoio entre prefeitos e parlamentares em Sergipe, região onde já exerceu cargo como prefeito. Recentemente, uma reunião com o senador Alessandro Vieira (MDB) e o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), reforçou sua disposição em formar uma chapa competitiva para as eleições de 2026. A aliança, arranjada pelo atual governador, gerou algum desconforto, já que Vieira foca na investigação da infiltração do crime organizado em esferas de poder, um tema sensível envolvendo diretamente Rodrigo Bacellar, atual presidente da Alerj e um dos aliados de Moura.
A convocação de Bacellar para depor na CPI do Crime Organizado gerou discussões acaloradas entre os aliados políticos de Moura e Vieira. Enquanto Vieira defende que a CPI é fundamental para investigar a atuação do crime organizado, Moura tenta desassociar suas pretensões eleitorais de qualquer implicação negativa relacionada a essas questões.
O futuro político de Moura
Com o cenário conturbado em torno de sua imagem pública, Moura afirma que não há mais impedimentos para sua candidatura. Ele mantém uma rotina de viagens constantes para Sergipe, onde busca construir uma base sólida de apoio para sua campanha. A movimentação política de Moura, somada à superação de sua condenação, proporciona um novo capítulo em sua trajetória, e a população de Sergipe terá a palavra em 2026, ao decidir sobre a viabilidade de seu retorno ao cenário político.
As próximas eleições prometem ser intensas, e com André Moura no eixo, a política sergipana encontra-se em um momento crítico, onde questões de ética e responsabilidade são constantes no debate público. À medida que se aproxima o pleito, os eleitores terão que julgar não apenas as promessas, mas também o passado de cada candidato.














