Brasil, 2 de fevereiro de 2026
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Flávio Bolsonaro é oficializado como pré-candidato à presidência, mas enfrenta isolamento

A recente oficialização da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República, anunciada na última semana, iluminou o estado de isolamento do senador, que está sob a resistência de partidos do centro e da direita. Estes grupos estão focados em manter Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como a principal alternativa para desafiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026.

Apesar do apelo eleitoral que o sobrenome Bolsonaro traz, junto com o legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), líderes de partidos tradicionais do espectro conservador afirmam, abertamente, que não vão apoiar automaticamente a candidatura de Flávio. Gilberto Kassab, por exemplo, presidente do PSD, reiterou que Tarcísio continua sendo a preferência do partido. Em declaração recente, Kassab desejou boa sorte a Flávio, mas enfatizou que o atual governador de São Paulo é a melhor opção para o Brasil.

Recusa de apoio para Flávio Bolsonaro

A declaração de Kassab reflete um sentimento mais amplo entre outros partidos, que já manifestaram sua preferência por alternativas além de Flávio. O deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), líder de um bloco que reúne legendas do centro e da direita, indicou que a movimentação do senador poderia abrir espaço para que a centro-direita busque um candidato próprio, ressaltando que a decisão de Flávio “libera” a federação para construir outro projeto.

Por sua vez, Ciro Nogueira (PP-PI), ex-aliado de Jair Bolsonaro e ex-ministro, afirmou que, embora considerasse apoiar o senador devido à relação próxima, fez questão de advertir que “política não se faz apenas com amizade”.

Idas e vindas da candidatura

A pré-candidatura de Flávio ganhou ainda mais complexidade devido a suas idas e vindas desde que formalizou sua intenção de concorrer. Após especulações de que a escolha de seu pai poderia ser um “balão de ensaio”, Flávio mencionou que sua permanência na corrida estava condicionada à aprovação de uma anistia no Congresso que beneficiasse seu pai e outros envolvidos nas controvérsias do 8 de Janeiro.

Depois dessa declaração, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautou o PL da Dosimetria, que acabou sendo aprovado em meio a tensões e confusões na Câmara. Esta decisão, porém, não é vista como uma vitória garantida para Flávio, especialmente após a repercussão negativa que se seguiu.

Após essa polêmica, Flávio recuou e afirmou que sua candidatura era “irreversível”, evitando dar a impressão de que sua posição estava condicionada a negociações políticas. No entanto, essa mudança reforçou a percepção de fragilidade junto a dirigentes partidários que já estavam hesitantes em apoiá-lo.

Na tentativa de mudar esse panorama, Flávio se reuniu com líderes partidários em um jantar em sua residência, buscando apoio. No dia seguinte, reafirmou: “Não é balão de ensaio, não tem volta”. Para ele, a unidade do grupo é essencial caso queiram uma candidatura competitiva.

A oficialização de seu nome para a corrida presidencial ocorreu após uma visita a seu pai, que está detido em Brasília. Segundo Flávio, Jair Bolsonaro deu sua bênção ao projeto político do filho, mantendo, assim, o controle do capital eleitoral dentro da família e afastando a possibilidade de ceder esse poder a outros candidatos, como Tarcísio.

Essa decisão se desenrola em meio a tensões familiares, especialmente com a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que começou a questionar as articulações políticas do PL, resultando em cobranças de seus enteados. A situação evidencia a complexidade das relações internas no clã Bolsonaro, que agora se vê frente a um desafio adicional: consolidar apoio em um cenário político fragmentado.

À medida que avançamos rumo às eleições de 2026, a trajetória da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro promete ser repleta de reviravoltas, e as dinâmicas entre os partidos de direita e centro continuarão a influenciar seus planos.

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