Brasil, 3 de fevereiro de 2026
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Câmara dos Deputados vota projeto que pode reduzir penas de golpistas

A Câmara dos Deputados está prestes a votar, nesta terça-feira (9), o polêmico projeto de Lei (PL) 2162/23, que pode resultar na redução das penas de envolvidos em atos golpistas, destacando-se o ex-presidente Jair Bolsonaro. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após uma reunião com líderes partidários, levantando um debate acalorado sobre as implicações da proposta.

O que é o PL 2162/23?

O PL 2162/23 é conhecido como o “PL da Dosimetria” e inicialmente previa a anistia para aqueles que participaram de manifestações no contexto das eleições de 2022, que tinham como objetivo impedir a posse do atual presidente, Luís Inácio Lula da Silva. Contudo, o relator da proposta, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), propôs uma mudança significativa. Em vez de anistia, a nova versão do projeto prevê a possibilidade de redução das penas para os envolvidos nos eventos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, quando houve uma tentativa de golpe de estado.

Desdobramentos e posicionamentos

O presidente da Câmara, Hugo Motta, ao anunciar a pauta para votação, enfatizou que a questão da anistia foi encerrada e que o foco agora está na conclusão do processo legal dos réus envolvidos nos eventos de 8 de janeiro. “Respeitamos o devido processo legal do Supremo Tribunal Federal concluir o julgamento dessas pessoas que participaram desse ato do 8 de janeiro”, afirmou Motta, ressaltando a importância de aguardar a finalização dos processos judiciais antes de discutir quaisquer alterações nas penas.

“O plenário da casa é soberano para decidir sobre essas questões”, completou, referindo-se à autonomia dos parlamentares em decidir sobre o destino do projeto. A expectativa é que o novo relatório da proposta, que ainda deve ser apresentado, traga mais detalhes sobre as mudanças nas penas propostas.

A influência política e a resistência ao projeto

O projeto gerou reações diversas dentro da Câmara. Enquanto alguns deputados defendem a mudança nas penas argumentando pela necessidade de uma resposta mais leve àqueles envolvidos nos atos de violência, outros se opõem veementemente, considerando a proposta uma forma de leniência com ações antidemocráticas. A votação promete ser tensa, reflexo das divisões políticas do país.

Além disso, Motta negou que sua decisão de pautar o projeto tenha sido influenciada por pressões externas, especialmente por aliados de Bolsonaro. Recentemente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, anunciou sua pré-candidatura à presidência da República, sugerindo que a retirada de sua pré-candidatura estaria condicionada à votação de um projeto que proponha anistia aos condenados pelos atos de janeiro.

Expectativas para a votação

A votação do PL 2162/23 poderá marcar um novo capítulo na política brasileira, em um momento em que a sociedade ainda está ressentida e polarizada em torno das recentes tentativas de perturbação da ordem democrática. O desfecho desse projeto não apenas impactará diretamente os réus envolvidos, mas também poderá ter repercussões significativas na confiança do público nas instituições políticas e judiciais do país.

Assim, enquanto a Câmara se prepara para a votação, o foco permanece nas repercussões políticas e sociais que poderão emergir deste ato legislativo, refletindo a maturidade do debate democrático no Brasil. O resultado da votação poderá, assim, não apenas determinar o futuro dos envolvidos com os atos golpistas, mas também moldar o cenário político em um momento de grandes incertezas e polarizações.

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