Brasil, 3 de fevereiro de 2026
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Flávio Bolsonaro: entre a negação e a possibilidade de candidatura em 2026

O senador Flávio Bolsonaro afirma não ser candidato a presidente em 2026, mas comentários de seu entorno revelam planos diferentes.

O senador Flávio Bolsonaro tem negado publicamente a sua candidatura à presidência em 2026. “Meu nome não está na mesa”, afirmou em entrevistas, seguindo um roteiro que parece ter sido cuidadosamente elaborado por seu pai, Jair Bolsonaro, que hoje cumpre uma pena de 27 anos e três meses no sistema penitenciário. No entanto, por trás das câmeras e das declarações formais, o clima entre os aliados e familiares sugere um cenário bem diferente.

Aquecendo o jogo político para 2026

Nos bastidores, a conversa entre aliados tem mudado. Na última semana, seu irmão, Eduardo Bolsonaro, começou a se referir a Flávio como “presidenciável” em transmissões ao vivo, e o senador parece estar se abrindo à possibilidade de uma candidatura. Em uma conversa privada, Flávio declarou que, “se o pai quiser, vai para o sacrifício” da candidatura ao Planalto. Essa mudança de discurso levanta questões sobre suas reais intenções e a estratégia da família Bolsonaro para as próximas eleições.

Os desafios da candidatura

Flávio é consciente dos desafios que enfrentaria caso decidisse entrar na corrida presidencial. Sua própria análise sobre o “sacrifício” de uma candidatura aponta para alguns riscos significativos. Em primeiro lugar, ele estaria abandonando uma reeleição praticamente certa no Rio de Janeiro em troca de uma disputa incerta contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além disso, uma candidatura presidencial poderia trazer à tona investigações pendentes, incluindo o polêmico caso “rachadinha” e questões relacionadas às operações de sua loja de chocolates e a aquisição de uma mansão em Brasília. A lembrança de sua única campanha anterior, para a prefeitura do Rio em 2016, também pesa sobre ele, já que foi marcada por dificuldades e pela intensa interferência de seu pai em sua candidatura.

Interesses familiares e políticos

Apesar dos obstáculos, a busca por uma candidatura pode ter suas vantagens para Flávio. Entre os argumentos apresentados por seus assessores, destaca-se a ideia de que, mais importante do que reeleger-se senator, é assumir o legado de seu pai como um líder da direita no Brasil, mesmo que isso signifique lidar com uma derrota quando confrontado por Lula.

Outro ponto a favor de Flávio é que, sob a administração de seu pai, ele conseguiu neutralizar investigações relacionadas a seu nome no Judiciário. Esse “atestado de idoneidade” pode ser um trunfo em campanhas futuras, especialmente contra ataques do PT. Além disso, o Flávio de 2025 pretende utilizar as lições aprendidas, tendo ampliado sua rede de contatos e aprimorado suas habilidades de comunicação desde 2016. Com seu pai fora do cenário político, Flávio teria mais autonomia na condução de uma campanha.

As nuances da dosimetria

Um dos temas que também tem gerado discussões é a dosimetria das penas que Jair Bolsonaro enfrentará. Enquanto nas ruas o senador flerta com o conceito de anistia, nos bastidores ele reconhece que um suporte da direita à proposta de dosimetria, apresentada pelo deputado Paulinho da Força, pode ser a estratégia mais vantajosa. Essa proposta inclui a redução das penas de Jair Bolsonaro, permitindo que ele cumpra uma fração de sua condenação em regime fechado.

Portanto, embora Flávio Bolsonaro mantenha uma postura de negação em relação à sua candidatura, o cenário que se desenha sugere que ele está considerando seriamente essa possibilidade, e os próximos passos da política brasileira poderão ser decisivos para o futuro da família Bolsonaro. As eleições de 2026 prometem ser um palco de disputas intensas, e a atuação de Flávio pode ser um fator crucial no embate político que se aproxima.

À medida que seu pai enfrenta os desdobramentos legais de sua condenação, Flávio pode se ver não apenas como um herdeiro político, mas como um protagonista em sua própria narrativa, onde o papel de sacrificado pode se transformar em um caminho para a realização de uma ambição maior. Resta agora observar qual direção tomará essa história nas próximas eleições.

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