O mês de setembro é marcado por uma campanha de conscientização sobre a saúde do coração, conhecido como Setembro Vermelho. Especialistas têm chamado a atenção do público para a importância dos cuidados cardiovasculares, especialmente considerando que, no Piauí, não são realizados transplantes de coração há quase 20 anos. A coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Lourdes Veras, destaca que a última instituição a realizar esses procedimentos foi um hospital particular em Teresina, que encerrou seu convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS) em 2007.
A realidade dos transplantes de coração no Piauí
Desde o fim da realização dos transplantes no estado, os pacientes que necessitam de um novo coração têm que ser enviados a outros estados, como São Paulo e Fortaleza. Entre 2024 e 2025, dez piauienses foram direcionados para essas cirurgias, mas a realidade é muito grave. Lourdes Veras ressalta que os pacientes em fila de espera estão em situação crítica, geralmente internados em unidades de terapia intensiva.
A urgência do transplante cardíaco
“Para o transplante de coração, a situação é mais urgente do que em outros órgãos, como rim ou córnea, onde pode haver uma espera maior. Com os pacientes cardíacos, a gravidade da condição exige uma abordagem mais imediata”, explica Veras. A fila de espera leva em conta diversos fatores, como a gravidade da condição e a compatibilidade sanguínea.
Cuidados antes e depois do transplante
Embora o transplante de coração seja um procedimento que pode salvar vidas, ele não está isento de riscos. O cardiologista Fernando Giordano alerta sobre as complicações que podem surgir, como a rejeição do órgão e infecções resultantes do uso de medicamentos imunossupressores. “Antes da cirurgia, os pacientes precisam estar estáveis, controlando a insuficiência cardíaca, mantendo as vacinas em dia e tratando qualquer infecção”, detalha.
Após o transplante, a rotina não acaba. Os pacientes devem continuar a tomar medicamentos imunossupressores, fazer exames regulares e seguir um plano alimentar e de exercícios supervisionados. “É essencial lembrar que, mesmo após receber um novo coração, o paciente continua sendo cardiopata e precisará de acompanhamento médico por toda a vida”, enfatiza o especialista.
O caso de Anne-Marie Garnero
No último fim de semana, a sociedade piauiense foi lembrada da gravidade das doenças cardíacas com a morte de Anne-Marie Garnero, filha da modelo piauiense Schynaider Moura. A jovem faleceu aos 16 anos após uma parada cardíaca em São Paulo. Ela havia sido submetida a um transplante de coração em 2022, devido a uma cardiomiopatia dilatada, uma condição que provoca o aumento do coração e compromete sua função.
Esse trágico acontecimento sublinha a urgência de se estabelecer um sistema de transplantes efetivo no estado, onde a carência de transplantes e tratamentos adequados continua a afetar muitos. A história de Anne-Marie nos lembra que a saúde do coração deve ser uma prioridade em nossa sociedade.
A importância da conscientização
Campanhas como o Setembro Vermelho são fundamentais para aumentar a conscientização sobre a saúde do coração. Durante este mês, é crucial que as pessoas entendam a importância de um estilo de vida saudável, que inclui dieta balanceada, exercícios físicos regulares e check-ups médicos frequentes. Além de promover cuidados com a saúde, é necessário incentivar discussões sobre políticas públicas que possam facilitar o acesso aos tratamentos e transplantes cardíacos.
À medida que nos aprofundamos nos riscos associados às doenças cardíacas, é fundamental lembrar que a saúde do coração não deve ser negligenciada. Investir em cuidados preventivos e buscar tratamento adequado em tempo hábil pode fazer toda a diferença e salvar vidas. Portanto, a alerta para cuidados com o coração não é apenas uma questão de saúde individual, mas um assunto que deve ser debatido por toda a sociedade.