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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Queda nos preços do café brasileiro em setembro de 2025

<p> O mercado do café brasileiro registra queda de até 11% em setembro, afetado por expectativas de chuvas e possíveis mudanças tarifárias.</p>

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No último mês, o mercado do café brasileiro enfrentou uma significativa volatilidade nos preços, com uma queda de até 11% registrada na segunda quinzena de setembro de 2025. Esse movimento foi mapeado pelo Centro de Pesquisas da Esalq-USP (Cepea), em um levantamento divulgado na quarta-feira, 24 de setembro. As expectativas de chuvas nas regiões produtoras e a possibilidade de alterações nas tarifas aplicadas pelo governo dos Estados Unidos foram apontadas como fatores principais para essa redução.

Impacto das chuvas e das tarifas nos preços

Entre os dias 15 e 22 de setembro, o Indicador Cepea/Esalq do café arábica na capital paulista apresentou uma queda de 10,2%, fechando a R$ 2.133,08 a saca de 60 quilos. Para o café robusta, a desvalorização foi de 11,1%, com o preço final na saca do Espírito Santo ficando em R$ 1.313,22.

Pesquisadores do Cepea destacam que a pressão sobre os preços se origina, em parte, da expectativa de chuvas significativas nas áreas cafeeiras, além da realização de lucros e do fechamento de posições em bolsa. "A retirada das tarifas dos Estados Unidos sobre o café também é uma possibilidade a ser considerada", dizem os especialistas.

Alta de preços na colheita de agosto

Contrapondo à recente queda, a última semana de agosto viu um aumento nos preços do café brasileiro. O Cepea registrou uma alta de 43% nas cotações do café robusta até o final de agosto. O fechamento do preço da saca de 60 quilos naquele período foi de R$ 1.469,43. No mesmo mês, o café arábica também experimentou uma valorização significativa, com um aumento de 26,3%, culminando em R$ 2.287,56 por saca.

A colheita que se encerrou em agosto evidenciou uma produção reduzida e dificuldades no beneficiamento do grão, fatores que contribuíram para a alta dos preços.

Tarifas e redirecionamento de mercado

O cenário do café brasileiro é permeado por incertezas, especialmente em virtude da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, que afeta os embarques do produto. Essa medida entrou em vigor no dia 6 de agosto e obrigou o Brasil a avaliar o redirecionamento de sua produção para novos mercados.

"Esse redirecionamento envolve agilidade logística e estratégias comerciais que visem minimizar os prejuízos à cadeia produtiva", explicam os pesquisadores do Cepea. O impacto da tarifa não afeta apenas a competitividade do café nacional, mas também pode repercutir nos preços ao consumidor norte-americano, complicando a formulação de blends tradicionais de café.

Preocupações dos produtores brasileiros

Dados da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC) revelam que, em 2024, o Brasil foi responsável por aproximadamente 23% das importações de café dos EUA em termos monetários. Enquanto isso, a Colômbia, principal concorrente do Brasil no segmento de café arábica, continua isenta das novas tarifas.

No café robusta, o Vietnã está tentando negociar uma alíquota reduzida de 20%, frente aos 46% previstos inicialmente para o Brasil.

O impacto do 'tarifaço' de Trump no setor cafeeiro é considerado estrutural pelos especialistas. "A elevação do custo de importação compromete diretamente a viabilidade econômica da cadeia interna, que envolve torrefadoras, cafeterias e indústrias de bebidas", destaca Renato Ribeiro, pesquisador do Cepea.

Embora a safra de 2024-2025 tenha proporcionado boa capitalização aos produtores, a comercialização da safra de 2025-2026 está avançando lentamente, com muitos produtores optando por vendas mínimas para garantir fluxo de caixa até que haja maior clareza sobre o cenário tarifário.

Com isso, o futuro do mercado de café brasileiro continua nebuloso, com as incertezas globais envolvendo tarifas, clima e produção afetando diretamente a economia dos produtores e a disponibilidade no mercado.

Para acompanhar mais notícias sobre o café e o agro no Brasil, siga as atualizações do g1 Piracicaba.

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