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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Morre Kongjian Yu, arquiteto e defensor das cidades-esponja

<p> O renomado arquiteto Kongjian Yu faleceu em acidente aéreo, deixando um legado em urbanismo sustentável e cidades-resilientes.</p>

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O mundo da arquitetura e do urbanismo está de luto. O renomado arquiteto e urbanista chinês Kongjian Yu faleceu em um trágico acidente aéreo no Mato Grosso do Sul, nesta terça-feira (23). A perda de Yu, que tinha 62 anos, representa não apenas a saída de uma das vozes mais influentes da arquitetura contemporânea, mas também a interrupção de um importante discurso sobre sustentabilidade e adaptação urbana. Ele havia visitado o Distrito Federal no início deste mês para participar da Conferência Internacional do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, onde apresentou sua visão inovadora sobre as chamadas "cidades-esponja".

A tragédia no Mato Grosso do Sul

O acidente ocorreu quando o pequeno avião em que viajavam Kongjian Yu, dois cineastas brasileiros e o piloto caiu na zona rural de Aquidauana. Além do arquiteto, as outras três pessoas a bordo também perderam a vida, chocando amigos, colegas e estudantes do mundo todo. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) expressou suas condolências e lamentou a perda, ressaltando a importância do trabalho de Yu para a sustentabilidade e a infraestrutura ecológica urbana.

O legado de um arquiteto visionário

Kongjian Yu era um autor respeitado e um dos principais defensores do planejamento urbano inovador, criando o conceito de "cidades-esponja". Esta abordagem visionária busca transformar centros urbanos em espaços que não apenas suportem, mas que absorvam e reutilizem a água da chuva. Durante sua palestra na Conferência Internacional do CAU, ele compartilhou com cerca de 4 mil participantes como esta técnica poderia ajudar a mitigar os efeitos das enchentes e prolongar o uso dos recursos hídricos durante períodos de seca.

Durante sua apresentação, Yu afirmou: "O Brasil é a última esperança para o mundo. É o último pedaço do jardim, o quintal de Deus. Deve ser cuidado, redesenhado e usado para curar o planeta". Ele enfatizou que transformar metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo em "cidades-esponja" era não apenas necessário, mas possível, caso houvesse uma vontade política e comunitária para tal mudança.

O que são cidades-esponja?

O conceito de "cidades-esponja" se baseia na ideia de que os ambientes urbanos precisam ser desenhados para coexistir com a água, transformando espaços impermeáveis em áreas verdes e permeáveis que podem absorver grandes volumes de chuva. Isso inclui a implementação de parques alagáveis, telhados verdes e calçamentos permeáveis, um conceito que pode revolucionar a forma como as cidades enfrentam as mudanças climáticas e as chuvas intensas.

Yu explicou que, em vez de lutar contra a água, deve-se aprender a conviver com ela, uma mudança de paradigma essencial para os futuros projetos urbanos. Ao longo de sua carreira, ele defendeu que a adaptação às dinâmicas naturais é fundamental para a sustentabilidade das cidades, alertando que os danos causados pelas cheias são mais devastadores do que as emissões de carbono.

Reflexões sobre a perda

A dura realidade da perda de Kongjian Yu nos leva a refletir sobre a urgência de suas mensagens e a necessidade de um urbanismo mais ecológico e consciente. Ao lamentar sua morte, a presidente do CAU/BR, Patrícia Sarquis Herden, destacou o impacto positivo que Yu teve na arquitetura: "Sua obra deixa um legado de compromisso com a sustentabilidade, a paisagem e a vida urbana". O vazio deixado por Yu no mundo do urbanismo será difícil de preencher, mas seu legado e suas ideias continuarão a inspirar gerações futuras.

Kongjian Yu trabalhou incansavelmente para conectar as realidades urbanas à natureza, e seu desejo por um mundo mais sustentável deve servir como um chamado à ação para todos os profissionais da área. Neste momento de luto, a esperança é que suas ideias e visões se tornem cada vez mais relevantes e possam incentivar um futuro onde as cidades sejam mais amáveis, resilientes e em harmonia com o meio ambiente.

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