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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Política

Mimbó: povoado negro luta pela sobrevivência e preservação cultural

Reportagem de 1988 destaca resistência de comunidade quilombola em Amarante, marcada por lutas por direitos básicos e identidade cultural

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Na edição nº 4 da revista Cadernos de Teresina, lançada em abril de 1988, uma das reportagens de maior relevância cultural e social foi intitulada “Mimbó: mito e realidade — uma comunidade negra luta pela sobrevivência”, assinada por Noé Mendes e Airton Gomes, com fotografias de Alcide Filho.

A história do povoado Mimbó e suas tradições

O texto registra a trajetória do povoado Mimbó, localizado em Amarante, formado por descendentes de quilombolas que, há gerações, mantêm viva sua identidade cultural e suas tradições. A comunidade enfrenta o isolamento geográfico e a exclusão social, reflexo das desigualdades herdadas da escravidão, que ainda persistiam no Brasil naquela época.

O artigo foi publicado no momento em que se comemorava o centenário da abolição da escravatura, levando a uma reflexão sobre o legado da escravidão e as desigualdades raciais no país.

Vida comunitária e resistência cultural

Na entrevista concedida a Cadernos de Teresina, Augusto Rabelo da Paixão, então presidente da Associação Comunitária do Mimbó e agricultor, revelou aspectos centrais da rotina local. Segundo ele, a comunidade vive basicamente da agricultura de subsistência, cultivando milho, arroz e feijão.

Augusto destacou também a inexistência de escolas formais na região, a religiosidade marcada pela devoção popular e a resistência cultural por meio da música, com destaque para o tradicional pagode do Mimbó. Ele relatou ainda as dificuldades enfrentadas, como a falta de acesso à terra, a precariedade dos serviços básicos e a discriminação racial.

Desafios e resistência

A fala de Augusto evidencia que, mesmo após cem anos da abolição, comunidades negras como a do Mimbó continuavam a lutar por direitos elementares. “A nossa alimentação é na base do milho, arroz e feijão. Não fomos acostumados com carne ou manteiga. Para as crianças, era só a maniba seca”, comentou, reforçando a realidade de privações enfrentadas.

Perspectivas de futuro e reconhecimento

Para conferir o texto completo da reportagem, acesse a revista na página 42. A história do Mimbó é símbolo da resistência cultural e da luta por igualdade de direitos de comunidades quilombolas no Brasil.

A reportagem evidencia a necessidade de políticas públicas mais efetivas para assegurar o acesso a direitos básicos e valorizar a cultura dessas comunidades que, apesar de toda resistência, continuam a enfrentar desafios sociais e econômicos.

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