O governo dos Estados Unidos, liderado pelo triênio Trump, estaria considerando uma proposta que poderia restringir o acesso às armas para pessoas trans, após debates internos no Departamento de Justiça (DOJ), segundo fontes ouvidas pela CNN e ABC News. A iniciativa, ainda em avaliação, aponta para uma possível disqualificação de indivíduos diagnosticados com disforia de gênero de adquirir ou possuir armas, sob a alegação de imposição de leis que limitam o porte de armas a pessoas consideradas mentalmente deficientes.
Debate sobre restrições às armas para trans e contexto de violência
A discussão vem à tona após um episódio recente de violência em Minneapolis, onde Robin Westman, uma mulher trans, matou duas crianças e feriu 21 pessoas antes de tirar a própria vida. Segundo ABC News, o FBI investiga possíveis ligações entre o ato e questões relacionadas à saúde mental. Apesar disso, dados indicam que a maioria dos tiroteios em massa nos EUA são realizados por homens cisgênero, com trans representando cerca de 0,11% a 2% dos autores, segundo fontes confiáveis.
Mark Bryant, diretor executivo da Gun Violence Archive, informou à CNN que, desde 2013, houve mais de 5.700 tiroteios em massa no país, dos quais apenas cinco foram cometidos por pessoas trans. “Essa proposta parece mais uma tentativa de criminalizar um grupo vulnerável do que uma solução real para a violência armada,” afirmou a ativista e porta-voz da GLAAD, destacando que remeter essa violência a uma questão de identidade de gênero é um equívoco.
Reações adversas e apoio diverso
A iniciativa do governo levou a reações duras de organizações de direitos civis. A GLAAD afirmou que “ao invés de oferecer soluções concretas, o governo escolhe mais uma vez responsabilizar um grupo pequeno e vulnerável... Todos merecem ser quem são, estar seguros e livres de discriminação.”
Curiosamente, a posição do NRA (National Rifle Association), maior entidade de defesa de armas nos EUA, foi de apoio à liberdade de posse, defendendo que “não apoiará propostas que promovam proibições arbitrárias e em larga escala sem o devido processo legal”. Em uma publicação nas redes sociais, o grupo afirmou que a restrição às armas deve seguir critérios justos, sem discriminação por orientação ou identidade de gênero.
Questionamentos e críticas à narrativa oficial
Na internet, críticos apontaram a hipocrisia: “Se um trans atira em uma escola, querem tirar as armas de todas as pessoas trans. E um anti-vacina que atira no prédio do CDC, por que não tirar as armas de todos eles?” questionou um usuário. Além disso, especialistas reforçam que a maioria das pessoas que cometem tiroteios são homens cisgênero e que a criminalidade relacionada à violência armada está mais ligada a fatores como fácil acesso às armas e problemas de saúde mental não tratados.
Segundo a NBC, 98% dos tiroteios em massa são realizados por homens, reforçando a tese de que a questão não é de identidade de gênero, mas de políticas de segurança. A própria Secretaria de Justiça declarou que a intenção é avaliar ações para mitigar comportamentos associados a problemas de saúde mental, afirmando que “não há propostas criminais específicas até o momento”.
Histórico de ações anti-trans do governo Trump
Essa discussão ocorre em meio a uma série de ações do governo Trump contra direitos de pessoas trans, incluindo a decisão de limitar o reconhecimento de gênero na Smithsonian American Women’s History Museum e a exclusão de trans de políticas militares, além de estabelecer que há apenas dois gêneros reconhecidos oficialmente, conforme anunciado anteriormente pelo próprio presidente.
Especialistas alertam que essas ações e debates reforçam uma narrativa de marginalização que contribui para o aumento do preconceito e da violência contra as populações LGBTQ+ nos Estados Unidos, além de desviá-la de estratégias mais eficazes para reduzir a violência armada na sociedade.