A estreia de Carlo Ancelotti na altitude de La Paz resultou na sua primeira derrota como técnico da seleção brasileira, em um jogo marcado pela dificuldade de jogar em condições adversas. Apesar de o resultado de 1 a 0 contra a Bolívia não ter implicações diretas, a partida ficou marcada como a pior campanha da seleção brasileira nas Eliminatórias desde a adoção do formato atual em 1998. Com apenas 28 pontos, o Brasil terminou a competição em uma posição abaixo do esperado, levando a análises sobre o que pode ser ajustado para o futuro.
Bolívia se garante na repescagem
Com a vitória, a Bolívia consegue garantir uma vaga na repescagem da Copa do Mundo de 2026, um feito que inspira esperança no futebol local. Para mais detalhes sobre o formato da repescagem, acesse aqui.
Enquanto isso, o Brasil precisa fazer uma reflexão profunda. Não se pode atribuir somente ao técnico Carlo Ancelotti a marca indesejada. A equipe terminou o ciclo das Eliminatórias com um desempenho positivo nos jogos anteriores, mas foi prejudicada por um período preparatório conturbado para a Copa do Mundo de 2026.
Ajustes necessários para o Mundial
Com a meta de ajustar a equipe para os próximos desafios, Ancelotti terá pelo menos sete amistosos para afinar a seleção antes do grande torneio. Dois desses jogos estão confirmados para outubro contra o Japão e a Coreia do Sul, momento importante para o treinador implementar suas ideias.
O jogo contra a Bolívia foi grandemente afetado pela altitude. Ancelotti fez nove mudanças na formação inicial e apresentou uma proposta tática diferente da utilizada no Maracanã, focando na preservação física da equipe. A estratégia se tornou visível logo nos primeiros momentos da partida, com os brasileiros compactados em seu campo defensivo e procurando manter a posse de bola, porém, sem conseguir ameaçar efetivamente o gol adversário.
Desempenho no primeiro tempo
O primeiro tempo foi caracterizado por uma clara dificuldade dos jogadores brasileiros devido às condições de altitude. Samuel Lino e Luiz Henrique mostraram sinais de cansaço logo nos primeiros minutos de jogo, enquanto Alisson, o goleiro, teve que fazer defesas importantes para evitar que a Bolívia ampliasse o marcador. A equipe boliviana, embora tenha pressionado, não conseguiu alcançar um volume maior de jogo contra uma defesa brasileira que, até certo ponto, se portou bem.
Aos 45 minutos da primeira etapa, ocorreu uma reviravolta crucial quando Bruno Guimarães cometeu pênalti em Roberto Fernández. O VAR interveio, e, após revisão, a penalidade foi confirmada. Miguelito converteu, colocando a Bolívia na frente, o que complicou ainda mais a situação do Brasil que via sua chance de recuperação se distanciar.
Estratégias no segundo tempo
Na segunda etapa, mesmo antes das substituições, o Brasil adotou uma postura mais ofensiva, buscando aproveitar o gás recuperado durante o intervalo. Com as entradas de alguns titulares, Ancelotti abandonou a estratégia inicial e passou a pressionar mais a saída de bola boliviana. O esquema tático sofreu alterações, passando a um 3-2-5, no qual o time começou a ocupar mais a área adversária.
A posse de bola pelo Brasil aumentou significativamente, saltando de 45% no primeiro tempo para 74% no segundo. Entretanto, isso não se traduziu em um número maior de finalizações, uma vez que a equipe teve apenas quatro chutes na primeira metade e seis na segunda. A Bolívia, reconhecendo a necessidade de defender sua vantagem, também adotou uma postura mais cautelosa no segundo tempo, o que acabou contribuindo para que a seleção brasileira não conseguisse equilibrar o jogo.
Desafios e aprendizados
Nos minutos finais, situações incomuns ocorreram, como a presença de bolas murchas em campo, ilustrando um jogo marcado pela dificuldade de ambos os lados. O resultado da partida será um aprendizado valioso para Ancelotti, não apenas por ser sua primeira derrota na seleção, mas também pela oportunidade de refletir sobre as estratégias que levarão o Brasil ao sucesso na próxima Copa do Mundo.
Assim, a equipe que antes parecia imbatível encerra as Eliminatórias de forma surpreendente, desafiando a todos a se prepararem para o que virá. Os próximos amistosos deverão ser decisivos para afinar o time e corrigi-lo para os compromissos futuros.