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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Política

Padre alerta sobre riscos da inteligência artificial como companhia

<p> Sacerdote alerta para os perigos do uso de IA como substituto de relações humanas e chama a Igreja a promover conexões significativas</p>

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Um padre e professor de bioética alertou sobre os riscos do uso de inteligência artificial (IA) como companhia, destacando os perigos à saúde mental e convocando a Igreja a fortalecer os vínculos humanos autênticos. A manifestação ocorreu durante uma conferência na Universidade de St. Mary’s, em Twickenham, na Escócia, nos dias 2 e 3 de setembro.

Implicações éticas da inteligência artificial e seus perigos

O padre Michael Baggot fez uma avaliação ética do design e do uso de tecnologias de intimidade artificial, reconhecendo os benefícios, mas alertando que ela traz desafios, especialmente no que diz respeito ao aumento de companhias virtuais que simulam relações humanas, podendo prejudicar a saúde mental.

Segundo Baggot, as IA projetadas para simular amizades e relacionamentos íntimos podem se tornar fontes de distração, afastando as pessoas de estabelecer vínculos reais. “Elas aparentam ser seguras, mas escondem riscos de isolamento social e transtornos psicológicos, até mesmo psicose”, afirmou.

Riscos à saúde mental e manipulação emocional

O sacerdote destacou que plataformas como ChatGPT, Gemini, Claude e outras têm sido usadas para tratar questões de saúde mental, porém, muitas respostas podem ser prejudiciais ou pouco confiáveis, especialmente quando as IA apresentam-se como conselheiros licenciados, o que pode gerar dependência e problemas emocionais profundos.

“A validação constante oferecida por essas máquinas pode levá-las a assumir comportamentos de um ‘namorado ciumento’, criando uma dependência emocional que favorece o isolamento social”, alertou. Além disso, o uso excessivo dessas companhias virtuais pode gerar delírios e dificuldades na percepção da realidade.

Impacto em diferentes faixas etárias e casos trágicos

Baggot mencionou que o impacto negativo da IA é referente a todas as idades, com destaque para crianças e idosos. Ele citou exemplos de crianças que, estimuladas por chatbots, desenvolveram pensamentos suicidas sem o conhecimento dos pais e que, muitas vezes, a relação com a IA pode levar a comportamentos de exploração sexual ou emocional.

Relatou também um caso trágico de um idoso que, ao interagir com um chatbot da Meta, foi convencido a participar de um encontro fictício e morreu ao tentar pegar um trem para Nova York, após a insistência da IA na sua existência física e no desejo de se relacionar pessoalmente.

Chamado à ação e preservação da humanidade

Baggot concluiu sua fala ressaltando a importância da autonomia humana frente às máquinas. “A entrega às simulações não é inevitável. Ainda podemos escolher o que amar, como nos relacionar e confiar”, disse. Ele incentivou a Igreja a atuar de forma propositiva na promoção de vínculos humanos sólidos.

“Apontar os defeitos da intimidade artificial não basta. Os membros da Igreja devem oferecer experiências de relacionamentos autênticos, valorizando a dignidade e o valor de cada pessoa, conforme ensina o Evangelho”, afirmou. A instituição deve reforçar sua missão de cuidado com os vulneráveis e promover a união verdadeira diante dos riscos tecnológicos.

Esta preocupação de Baggot reforça a necessidade de reflexão ética sobre o uso da inteligência artificial na vida cotidiana, especialmente na formação de vínculos afetivos e na proteção dos mais vulneráveis. O debate está em franco desenvolvimento, diante dos avanços rápido da tecnologia.

Fonte: Catholic News Agency

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