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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Inteligência artificial e terapia psicodélica: uma nova abordagem

<p> A combinação de IA e terapia psicodélica levanta questões sobre eficácia e segurança no tratamento.</p>

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Nos últimos anos, a interseção entre terapias psicodélicas e a tecnologia de inteligência artificial (IA) tem despertado interesse crescente. Recentemente, Christian Angermayer, fundador da Atai Life Sciences, uma empresa focada em biotech psicodélico, comentou sobre como a IA pode auxiliar terapeutas humanos ao promover check-ins motivacionais com pacientes entre as sessões. Angermayer afirma que, embora a IA possa desempenhar um papel importante em terapias adicionais para apoiar mudanças de estilo de vida, a presença de um profissional de saúde treinado é essencial durante as experiências psicodélicas.

A experiência de usuários com IA na terapia psicodélica

Um desses usuários, que se identifica como Trey, relatou seus benefícios ao utilizar o aplicativo Alterd, que não exige supervisão humana durante as sessões. Mesmo após apenas alguns meses, Trey creditou suas interações com um bot de IA a sua capacidade de se manter sóbrio. Ele descreve a função de "conversar com sua mente" do aplicativo como uma extensão de seu próprio subconsciente, moldada a partir de suas anotações e diário.

“Este aplicativo e tudo que ele oferece me proporcionaram uma profunda autoconsciência,” relata Trey. Ele afirma ter adquirido habilidades para observar seus pensamentos, sentimentos e impulsos sem julgamento ou desespero. Essa narrativa reflete uma nova promessa de como a tecnologia, quando bem utilizada, pode contribuir para o bem-estar emocional e psicológico.

A tecnologia por trás do Alterd

Sam Suchin, criador do Alterd e formado recentemente na Universidade de Harvard, destaca que a função "chat com sua mente" não é apenas uma interface genérica do ChatGPT. Ele explicou que se trata de uma ferramenta de IA customizada, que reflete os próprios pensamentos, humores e padrões do usuário. A aplicação utiliza dados sobre o estado atual do usuário, entradas passadas, interações e tom emocional para gerar insights personalizados.

“Embora a IA tenha sido projetada para apoiar os usuários de maneira positiva, ela não deve reforçar cegamente todos os pensamentos ou comportamentos. Em vez disso, sua função é gentilmente desafiar ou destacar padrões negativos, como o uso excessivo de substâncias, e incentivar alternativas mais saudáveis,” disse Suchin.

Os riscos da dependência da IA

No entanto, a dependência de máquinas que não conseguem perceber sutilezas emocionais, especialmente durante experiências psicodélicas, levanta sérias preocupações. Relatos de psicose induzida por ChatGPT já circulam em fóruns online, mesmo sem o uso de substâncias psicodélicas.

Manesh Girn, um neurocientista pós-doutorando da Universidade da Califórnia em San Francisco, expressou preocupações: “Uma preocupação fundamental é que ChatGPT e a maioria dos outros agentes de IA carecem de sintonia emocional dinâmica e da capacidade de co-regular o sistema nervoso do usuário. Esses fatores são centrais para a relação terapêutica, que pesquisas indicam ser essencial para resultados positivos na terapia psicodélica.”

Ele acrescenta que experiências psicodélicas podem ser desafiadoras e angustiosas, e depender exclusivamente de um agente desincorporado, que muitas vezes reflete as suposições embutidas no seu prompt, pode levar a caminhos prejudiciais ou ilusórios.

A posição da OpenAI sobre o uso de IA em terapias

A OpenAI, empresa responsável pelo desenvolvimento do ChatGPT, enfatiza que a ferramenta não foi projetada para substituir cuidados profissionais. Segundo Gaby Raila, porta-voz da empresa, o chatbot é uma ferramenta de propósito geral que busca ser factual, neutra e voltada para a segurança. A empresa ressalta a importância da conexão humana e da orientação profissional, além de exigir que seus usuários cumpram as leis e não causem danos a si mesmos ou a outros.

Diante desse cenário, a intersecção entre inteligência artificial e terapias psicodélicas revela um campo promissor, mas repleto de complexidades e riscos potenciais. Apesar das inovações e benefícios que a tecnologia pode trazer, a necessidade de supervisão humana e a precaução em seu uso devem ser sempre consideradas, garantindo assim uma abordagem segura e eficaz ao tratamento.

O futuro da integração entre IA e terapia psicodélica pode ser promissor, mas requer um equilíbrio cuidadoso entre inovação e responsabilidade. A pesquisa e a compreensão continuam fundamentais para garantir que esses novos métodos contribuam verdadeiramente para a saúde mental e o bem-estar dos usuários.

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