A abertura do pregão nesta quinta-feira promete ser um dia sombrio para o mercado financeiro dos EUA, com a expectativa de que aproximadamente US$ 1,7 trilhão evaporarão do Índice S&P 500. Essa queda alarmante é estimulada pelas preocupações de que a nova rodada abrangente de tarifas do presidente Donald Trump possa empurrar a economia americana em direção a uma recessão. As consequências se fazem sentir em diversas empresas, especialmente aquelas cujas cadeias de suprimentos dependem da fabricação no exterior.
Impacto nas principais empresas
As ações da gigante da tecnologia Apple, que fabrica a maioria de seus dispositivos nos Estados Unidos na China, devem abrir com uma queda estimada de 7,7%. Esse impacto não é exclusivo da Apple; outras empresas também são fortemente afetadas. A Lululemon Athletica e a Nike, que têm laços com fábricas no Vietnã, estão projetadas para uma queda de pelo menos 9%. Varejistas como Walmart e Dollar Tree, que dependem de produtos importados, viram seus valores de ações caírem em mais de 4% antes da abertura do pregão.
Um cenário de liquidação
O setor financeiro não está imune ao colapso. A maior ETF que acompanha o S&P 500 está a caminho de registrar sua maior queda desde 2022, com mais de 90% das empresas do índice enfrentando quedas acentuadas. Às 8h, horário de Nova York, mais da metade das 500 ações listadas deveria registrar uma queda de pelo menos 2% no pré-mercado.
“O mercado está percebendo que não há praticamente nenhuma maneira de interpretar isso como algo positivo”, afirmou Steve Sosnick, estrategista-chefe da Interactive Brokers, sobre a situação atual.
Consequências das novas tarifas
As novas tarifas impostas pela administração Trump são mais abrangentes e severas do que as do seu primeiro mandato. Elas têm potencial para desestabilizar as cadeias globais de suprimentos, exacerbando a desaceleração econômica e aumentando a inflação. Isso deixou os investidores em um estado de incerteza, tentando calcular como essas tarifas afetarão os lucros das empresas.
O economista do JPMorgan, Michael Feroli, destacou que a atual proposta de tarifas equivale ao maior aumento de impostos desde 1968. Ele ressaltou que essas tarifas podem agregar até 1,5% aos preços este ano, utilizando o índice de inflação preferido do Federal Reserve, e impactar negativamente a renda pessoal e os gastos dos consumidores. “Esse impacto por si só pode levar a economia perigosamente perto de entrar em recessão”, escreveu Feroli.
Impacto nas empresas e nos mercados globais
As empresas da indústria de semicondutores e outros setores industriais também estão enfrentando dificuldades. Um fundo de índice que acompanha o Philadelphia Semiconductor Index caiu 4,6%, com empresas como Nvidia, Broadcom e Micron Technology entre as mais afetadas. A Caterpillar e a Boeing, que formam uma parte significativa de suas receitas na China, também viram suas ações caírem mais de 4%.
No contexto atual, as ações da Apple lideraram as quedas entre as chamadas “Magnificent Seven”, um grupo que também inclui Tesla, Microsoft, Nvidia, Alphabet, Amazon e Meta. Este grupo foi responsável por uma parte substancial dos ganhos do mercado de ações nos últimos dois anos.
Expectativas futuras e riscos no mercado
O especialista do UBS Group AG, Bhanu Baweja, comentou que enquanto vemos 5.300 como o alvo de curto prazo para o S&P 500, a persistência da incerteza em relação às tarifas e as negociações comerciais pode aumentar os riscos de um colapso abaixo dos 5.000 pontos.
“A probabilidade de as ações dos EUA entrarem em um mercado de baixa está aumentando”, alerta Baweja.
Esse cenário pode se traduzir em um obstáculo significativo para a recuperação econômica dos Estados Unidos, colocando em dúvida o futuro do mercado da bolsa e a saúde financeira do país.
Com a economia global interconectada, as implicações dessas tarifas também se estenderão, potencialmente afetando os mercados financeiros em todo o mundo.