A iminente aplicação de tarifas recíprocas pelo governo dos Estados Unidos, prometida por Donald Trump, elevou a tensão nos mercados globais nesta terça-feira (1º). O clima de incerteza impulsionou o dólar no Brasil, após queda expressiva no dia anterior, e pressionou o Ibovespa. O temor de uma guerra comercial ampla reacende o risco de inflação e recessão em escala global.

Mercados globais em pauta: tarifas de Trump geram alerta
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, deve anunciar nesta quarta-feira (2) os detalhes de seu aguardado pacote de tarifas recíprocas contra países que, segundo ele, aplicam taxas desproporcionais aos produtos americanos. A medida, uma das promessas de sua campanha, vem sendo gradualmente implementada desde o início de seu mandato — agora, no entanto, pode se estender a todas as nações.
O mercado teme que o movimento inicie uma guerra comercial em larga escala, com retaliações em cadeia e impacto direto no preço de insumos, no consumo e na inflação global. O Brasil, que já foi citado por Trump em relação ao etanol, prepara uma possível reação institucional por meio da Lei de Reciprocidade Econômica, que deve ser votada no Senado ainda hoje.
Dólar sobe após queda; Bolsa recua
Às 9h05 desta terça, o dólar subia 0,10%, cotado a R$ 5,7114, após registrar queda de 0,94% na véspera, encerrando a segunda-feira em R$ 5,7052. No acumulado, a moeda norte-americana já apresenta:
- Queda de 0,94% na semana;
- Recuo de 3,56% no mês;
- Perda de 7,67% no ano.
Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou a sessão anterior com baixa de 1,25%, aos 130.260 pontos.
Reação da Europa
Autoridades europeias reagiram às ameaças tarifárias com veemência. Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, afirmou que os EUA estão promovendo uma “libertação unilateral” que exige uma resposta firme da União Europeia. Segundo ela, a guerra comercial pode reduzir o crescimento do bloco em até 0,5 ponto percentual, caso medidas recíprocas sejam adotadas.
Lagarde classificou o momento como “existencial para a Europa”, sinalizando que o continente não se curvará à pressão americana.