A Ação Social Arquidiocesana (ASA), por meio do Centro Maria Imaculada (CMI), realizou, nesta terça-feira (27), o 3º Seminário de Hanseníase do CMI, com o objetivo de unir ciência, cuidado e escuta. O evento buscou conscientizar, informar e desmistificar os estigmas relacionados à doença, reunindo profissionais, estudantes, pesquisadores e a comunidade para dialogar sobre práticas humanizadas, atualizações terapêuticas e vivências capazes de transformar o enfrentamento ao preconceito e fortalecer o diagnóstico precoce da hanseníase.
O Centro Maria Imaculada atua como referência no diagnóstico da hanseníase no estado do Piauí, atendendo diretamente cerca de 50 municípios. Em 2025, foram realizados, em média, 23 mil atendimentos, contribuindo de forma significativa para o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o enfrentamento do estigma associado à doença.
Para a coordenadora do CMI, Stephanie Maria, o terceiro seminário, realizado em alusão ao Janeiro Roxo, mês de conscientização sobre a hanseníase, tem como objetivo promover e incentivar o diagnóstico precoce entre profissionais e estudantes da área da saúde.
“O CMI atende um grande volume de pessoas mensalmente, e esse momento é uma oportunidade de divulgar informações sobre a hanseníase, especialmente para estudantes que serão os próximos profissionais de saúde e que atuarão diretamente no diagnóstico precoce da doença”, destacou.
A médica dermatologista e hansenologista, Dra. Lívia Martins, reforçou a importância do diagnóstico precoce para a eficácia do tratamento e para a redução do comprometimento do sistema nervoso.
“Precisamos substituir o preconceito por informação, acolhimento e cuidado. A hanseníase é uma doença completamente diferente da visão antiga. Ela tem cura, e o tratamento é feito com antibióticos eficazes, fornecidos gratuitamente pelo sistema de saúde. Após o início do tratamento, o paciente não transmite a doença para outras pessoas. Quando o diagnóstico é feito precocemente, o tratamento evita complicações. No entanto, se os nervos já estiverem comprometidos, eles podem não se recuperar totalmente, o que pode gerar sequelas em alguns pacientes, não em todos”, explicou.
A especialista também alertou para os principais sinais da doença, como a perda da sensibilidade.
“O paciente pode deixar de sentir dor, calor, frio ou o toque, geralmente associado a uma mancha na pele, mas isso também pode ocorrer em áreas sem manchas aparentes. A informação salva vidas e evita sofrimento. Ao perceber qualquer mancha diferente ou dormência na pele, procure um médico. O diagnóstico precoce permite um tratamento rápido e reduz significativamente o risco de sequelas”, orientou Dra. Lívia.
Informação e acolhimento como caminhos para vencer o preconceito
Paciente do CMI há 15 anos, Anselmo Andrade destacou que informação, cuidado e acolhimento são ferramentas fundamentais para combater o medo e o preconceito, além de promover dignidade às pessoas. “A hanseníase tem tratamento, esse tratamento é gratuito, e o maior desafio que ainda enfrentamos é o estigma e o preconceito, algo que precisa ser definitivamente erradicado. Queremos que a sociedade cresça em informação, se fortaleça e saiba que o Centro Maria Imaculada está de portas abertas para acolher, orientar e tratar”, afirmou.
Para o enfermeiro e voluntário do CMI, Ícaro Carvalho, o Centro Maria Imaculada ocupa um papel essencial no enfrentamento da hanseníase. “O CMI oferece matriciamento às Unidades Básicas de Saúde, fortalecendo a atenção primária, que é mais generalista. Esse apoio é fundamental, pois ainda existe muita insegurança entre os profissionais da rede quanto ao diagnóstico, reconhecimento dos sinais, investigação de contatos e condução adequada dos casos. Ações como essa fortalecem a rede de atenção, tanto no aspecto técnico quanto no cuidado direto ao usuário”, declarou.
Já a voluntária e assistente administrativa do Centro, Gervilya Reinalaldo, ressalta a importância do acolhimento aos pacientes e da transformação da insegurança em cuidado, carinho e respeito.
“Fazemos questão de mostrar a cada paciente que ele tem, sim, um lugar e uma importância na sociedade. Muitos chegam inseguros, retraídos, em busca de acolhimento. Com o tempo, com o tratamento e com o cuidado que recebem, essa insegurança vai dando lugar à confiança. No Centro Maria Imaculada, não existe preconceito. Aqui, criamos laços, fazemos amizades, cuidamos uns dos outros e transmitimos paz aos pacientes”, finaliza.

Com informações da Ascom














