Brasil, 17 de janeiro de 2026
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Crescimento da violência contra a mulher no Tocantins: um alerta necessário

A violência contra a mulher continua a ser uma questão alarmante no Brasil, e em especial no Tocantins, onde a primeira semana de 2026 já registrou três casos de feminicídio. Esses episódios trágicos refletem não apenas a brutalidade das agressões, mas também o desconhecimento e a normalização dos relacionamentos abusivos, que frequentemente precedem tais tragédias.

O que caracteriza um relacionamento abusivo?

Relacionamentos abusivos podem envolver controle excessivo, isolamento social e diferentes formas de violência, como psicológica e financeira. Muitas mulheres vítimas desse tipo de violência não reconhecem a gravidade da situação, acreditando que os comportamentos do(a) parceiro(a) são meras ações isoladas. A promotora Flávia Rodrigues destaca que “elas vivem um ciclo de violência e, muitas vezes, permanecem anos sem buscar ajuda”.

Os dados do Núcleo de Coleta e Análise Estatística (Nucae), da Secretaria de Segurança Pública (SSP), revelam que a situação vem se agravando ao longo dos anos. Em 2024, foram registrados 12 feminicídios; em 2025, o número subiu para 20. A maioria das vítimas era de mulheres autodeclaradas pardas, em união estável e assassinadas em suas próprias casas.

Identificando os sinais de violência

De acordo com a psicóloga Elisa Feitosa Lopes, os sinais de um relacionamento abusivo incluem: controle sobre amizades, redes sociais e atividades diárias. Muitas mulheres sentem que estão “pisando em ovos”, mudando sua forma de se vestir ou se comportar para evitar conflitos. À medida que a autoestima diminui, surge uma sensação de culpa e isolamento, dificultando a percepção da real intenção do parceiro(a).

Estabelecer uma rede de apoio é crucial para que a mulher consiga romper esse ciclo. “Falar sobre a situação, com pessoas em quem você confia, é o primeiro passo para escapar desse isolamento”, aconselha Lopes.

Como buscar ajuda no Tocantins

No Tocantins, o apoio às mulheres vítimas de violência é oferecido por diversos órgãos. As mulheres podem buscar ajuda:

  • Polícia Militar – número 190
  • Central de Atendimento à Mulher – número 180
  • Ministério Público – atendimento presencial ou pela Ouvidoria da Mulher, no número (63) 3216-7586
  • Casa da Mulher Brasileira em Palmas – para acolhimento e assistência integral.

A Casa da Mulher Brasileira, por exemplo, oferece um espaço de acolhimento e serviços variados, incluindo assistência jurídica e psicológica. Em 2025, a unidade registrou 1.567 atendimentos, mostrando a relevância deste tipo de serviço na proteção das mulheres.

Desafios e iniciativas do governo

O crescimento dos casos de feminicídio e tentativas de feminicídio no Tocantins aponta para a necessidade urgente de melhorar a resposta institucional. O governo do estado tem se comprometido a expandir a rede de delegacias e a fortalecer programas já existentes, como a Patrulha Maria da Penha, que proporciona acompanhamento e proteção às mulheres em situação de risco.

A promotora Flávia Rodrigues salienta que, apesar do bom arcabouço legislativo que ampara as mulheres, ainda é necessário intensificar esses serviços no interior do estado: “Falta a interiorização da rede de proteção nos municípios menores.”

A Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública estão desenvolvendo capacitações para que os profissionais atuem com mais sensibilidade nos casos de violência doméstica, uma estratégia adotada para garantir que mais mulheres recebam o suporte necessário.

Conclusão

A situação da violência contra a mulher no Tocantins requer a união de esforços entre o governo, a sociedade civil e as vítimas. É crucial que as mulheres conheçam os sinais de relacionamentos abusivos e saibam como buscar auxílio para romper esse ciclo de violência. Romper o silêncio e criar uma rede de apoio pode salvar vidas e impedir que mais tragédias aconteçam.

As vítimas precisam saber que não estão sozinhas e que existe ajuda disponível. O fortalecimento das políticas públicas e a conscientização são passos fundamentais para enfrentar essa duríssima realidade que, infelizmente, ainda persiste no estado e em todo o Brasil.

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