Brasil, 17 de janeiro de 2026
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Como a Venezuela perdeu sua democracia

Na Venezuela, a democracia não desapareceu de uma só vez, mas foi se esvanecendo lentamente, por procedimentos e ações que, ao longo dos anos, minaram suas bases institucionais. A trajetória de deterioração revela que a democracia é tão vulnerável quanto a percepção de que ela está protegida.

A trajetória de uma desinstitucionalização gradual

Desde a eleição de Hugo Chávez, em 1998, o país passou por transformações profundas. Widening inequality, instabilidade política e a exploração dos recursos de petróleo financiaram programas populistas que consolidaram um governo autoritário ao mesmo tempo em que mantinham a aparência de legitimidade eleitoral.

O papel das instituições e o cerceamento da oposição

Ao longo dos anos, o controle de instituições-chave e a manipulação dos processos eleitorais facilitaram o fortalecimento de um regime que, embora eleito, foi progressivamente se afastando das regras democráticas. A dissolução da Assembleia Nacional em 2017 é um episódio emblemático desta estratégia de erosão institucional.

Consequências de um processo de decadência democrática

Hoje, uma parte significativa da população venezuelana vive na clandestinidade, na pobreza ou exilada – aproximadamente um em cada quatro cidadãos decidiu deixar o país, como uma forma de escapar da crise humanitária causada por décadas de má gestão e autoritarismo disfarçado de democracia.

Às ruas, cenas de protesto em 2017 ainda parecem paradoxais: multidões que celebram uma suposta vitória, embora tenham consciência do risco que enfrentam ao desafiar um regime cada vez mais autoritário. Como explica Helena Carpio, jornalista investigativa venezuelana, “a democracia morreu aos poucos, com procedimentos que parecem normais, mas que, juntos, destruíram o que havia de liberdade.”

A importância de não subestimar a fragilidade democrática

O caso venezuelano serve de alerta contra a complacência. É um alerta de que, se cidadãos, instituições e o sistema internacional não estiverem vigilantes, regimes autoritários podem se consolidar sob a aparência de legitimidade legal.

Segundo Helena Carpio, a permanência de uma democracia dependerá do compromisso da sociedade em defender seus direitos e de instituições fortes que resistam às tentações do afrouxamento institucional. Afinal, a história recente da Venezuela mostra que, na política, a inércia muitas vezes é o maior aliado do autoritarismo.

Para entender a tragédia venezuelana, é preciso reconhecer que regimes autoritários emergem de um processo de cavando lentas, mas constantes, destruições das regras democráticas.

Perspectivas e lições futuras

O caminho para reconstruir a democracia na Venezuela é complexo e requer esforço coletivo, tanto interno quanto internacional. O alerta de Helena Carpio é claro: o desmoronamento democrático não é um fenômeno repentino, mas uma construção silenciosa que exige atenção contínua para ser revertida.

Mais importante do que celebrar supostas vitórias, os venezuelanos precisam reforçar a defesa de seus direitos e das instituições democráticas para evitar que a história se repita.

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