O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Investimentos. A medida encerra as operações da gestora de forma imediata, mas não afeta os fundos administrados, que continuam ativos no mercado, aguardando nova gestão.
Fundamentos da liquidação e o que isso significa para os investidores
Segundo o BC, a medida se deve ao descumprimento de regras legais e prudenciais, o que compromete a operação segura da instituição. A Reag Investimentos é investigada na Operação Compliance Zero, por suspeitas de infraestrutura de fraudes financeiras envolvendo fundos suspeitos de movimentações atípicas, inflar resultados e ocultar riscos, além de indícios de lavagem de dinheiro.
Além disso, a empresa também está ligada à megaoperação Carbono Oculto, que investiga o uso de fundos por organizações criminosas, incluindo o PCC, para lavagem de dinheiro. O Banco Central destacou que a ação não reflete uma ameaça sistêmica ao mercado financeiro, pois a Reag constitui uma pequena parcela do sistema, com menos de 0,001% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional.
O futuro dos fundos geridos pela Reag
Apesar da liquidação, os fundos administrados pela Reag permanecem ativos. A gestão desses recursos foi transferida para outros gestores ou investidores, que deverão indicar uma nova administradora ao BC para continuar as operações. Caso não consigam, o próprio banco poderá decretar a liquidação dos fundos.
Os clientes terão direito às quotas de seus fundos, que serão atualizadas com o valor de mercado. Assim, quem aplicou R$ 1.000 e, na liquidação, o fundo estiver valendo R$ 1.100, receberá o valor atualizado. Caso o fundo esteja desvalorizado, receberá valor proporcional ao saldo.
Impacto para os investidores e operações atuais
O Banco Central informou que não há prazo estabelecido para que os gestores de fundos indiquem uma nova administração, recomendando que essa troca ocorra o mais rapidamente possível para evitar a liquidação definitiva. Durante esse período, operações com os fundos continuam suspensas, e os investidores não podem fazer resgates ou aportes.
De acordo com Alexandre Chaia, economista do Ínsper, não há risco de insolvência dos fundos enquanto uma nova gestão não for definida, e os investidores receberão o valor de mercado no momento da liquidação. “A prioridade é garantir a proteção do patrimônio dos clientes”, afirma o especialista.
Sobre a Reag Investimentos e o que vem a seguir
A Reag atua como gestora e administradora de mais de 80 fundos de investimento, além de atuar em gestão de patrimônio de clientes pessoa física. Controlada pelo Grupo Reag, ela também faz parte de conglomerado que inclui empresas como a Reag Capital Holding e a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (CIABRASF), que não foram afetadas pela medida do BC.
O BC reforçou que a liquidação extrajudicial ocorreu devido a “graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional”, reforçando a prioridade do órgão em manter a segurança e a integridade do mercado financeiro.
Próximos passos e considerações finais
O banco central não estabeleceu prazos para a indicação de uma nova administradora dos fundos. A expectativa é que empresas de gestão assumam o controle o mais breve possível, minimizando o impacto para os investidores. Enquanto isso, os recursos permanecem protegidos, e o mercado acompanha as próximas fases dessa operação.
Para mais detalhes e atualizações, acesse o artigo completo no G1.


