O advogado-geral da União, Jorge Messias, está se preparando para intensificar suas negociações e conquistar o apoio dos senadores para sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Após um período de recesso e com a desaceleração de contatos, Messias vem mantendo diálogos com figuras influentes do Senado, incluindo o ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA).
A busca por apoio no Senado
Messias teve uma reunião com Rodrigo Pacheco em Brasília, poucos dias antes do Natal. Pacheco era considerado o nome favorito entre os parlamentares para assumir a vaga no STF, e a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não indicá-lo causou uma onda de insatisfação. O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também expressou seu descontentamento com a escolha de Messias, visto que Pacheco estava em alta entre os senadores.
Após o encontro com Pacheco, Messias conversou com Otto Alencar, que comentou sobre a cordialidade da reunião, mas destacou que o advogado-geral não forneceu detalhes sobre o que foi discutido. Otto, ao ser questionado sobre a evolução do clima para uma possível votação, declarou que ainda não há uma previsão para a marcação da sabatina de Messias e que isso dependeria do envio de uma mensagem oficial do presidente ao Senado.
Movimentações discretas durante o recesso
Apesar de estar de férias na Bahia, Jorge Messias não deixou de se manter ativo nas redes sociais, interagindo de maneira discreta com senadores como Otto Alencar, Jaques Wagner (PT-BA), e Renan Calheiros (MDB-AL). Contudo, suas articulações presenciais diminuíram durante o recesso. A avaliação entre seus aliados é de que insistir em encontros enquanto o Poder Legislativo estivesse parado poderia gerar mais resistência entre os senadores e não ajudaria a destravar a indicação.
Nos meses anteriores, Messias havia intensificado suas atividades no Senado, fazendo visitas a gabinetes e buscando votos, já que são necessários 41 votos para a aprovação de sua indicação. No entanto, em dezembro de 2025, o Palácio do Planalto decidiu não enviar a mensagem oficial ao Senado, o que frustrou a tentativa de levar adiante a sabatina de Messias e foi interpretado como um sinal da falta de apoio político para sua candidatura.
Respostas e estratégias do Palácio do Planalto
No Palácio do Planalto, a percepção é de que a situação ainda é “administrável”. Aliados do presidente Lula relataram que uma conversa recente entre Lula e Alcolumbre, realizada antes do Natal, foi considerada “muito boa” no que tange ao impasse da indicação. Lula reconheceu publicamente que houve um “problema” com o Senado, que preferia outro nome, mas reiterou sua determinação em manter sua escolha por Messias.
Além das articulações com o Senado, o Palácio começou a indicar uma disposição para reestruturar as relações com os senadores em outras áreas. Um dos principais gestos de aproximação foi a nomeação de Otto Lobo para presidir a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Essa decisão foi vista como um aceno político a senadores, já que o nome de Lobo contava com o apoio de parte do Senado, apesar da resistência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Perspectivas para Messias
A nomeação de Messias continua a ser tratada com cautela nos bastidores políticos. Seus aliados consideram que a situação, embora não ideal, permite que ele continue sua busca por apoio. Enquanto isso, o governo federal tem trabalhado para reduzir tensões e indicar que está aberto ao diálogo. A estratégia de Messias poderá ser determinante para sua aprovação e mudanças no cenário político atual envolvendo o STF.
Com a expectativa de voltar a Brasília em breve e retomar contatos estratégicos, Messias segue focado em garantir os votos necessários para consolidar sua posição no Supremo, enquanto o clima no Senado permanece em constante avaliação.




