A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (15) a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga uma complexa rede de fraudes envolvendo o Banco Master e fundos administrados pela Reag. Segundo as investigações, recursos de empréstimos concedidos pelo banco foram utilizados em operações fraudulentas, com suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
Implicações do Caso Master na gestão de fundos
De acordo com informações do Ministério Público Federal (MPF), o Banco Master concedia empréstimos a empresas que não pagavam as parcelas, gerando receitas fictícias. Esses valores eram quase integralmente transferidos a fundos administrados pela Reag, que simulavam rentabilidade irreal, injetando dinheiro de volta na própria instituição financeira.
Ativos e riscos envolvidos
Documentos revelam que os ativos desses fundos, em sua maioria, eram papéis do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), considerados de baixo valor, e que os fundos não possuíam liquidez suficiente para suportar resgates, violando regras de gerenciamento de risco do mercado financeiro. A Reag afirmou ao BC que os ativos estavam garantidos por fundos de liquidez, mas a autoridade monetária identificou divergências nessas alegações.
Operação e apreensões
A ação policial também incluiu buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a João Carlos Mansur, fundador da Reag, atualmente no exterior. A Polícia Federal apreendeu carros de luxo, relógios, dinheiro vivo e armas, além de documentos que apontam movimentações suspeitas.
Laços suspeitos e conexões
Entre os alvos, está João Carlos Mansur, influente executivo de times de futebol e ex-controlador da Reag, cuja relação com Vorcaro é detalhada em uma lista de transações suspeitas divulgada pela reportagem. A defesa de Vorcaro afirmou que as alegações não correspondem aos fatos e que o banco passa por auditorias independentes.
Suspeitas de irregularidades financeiras
O BC identificou que os fundos ligados ao esquema apresentaram uma rentabilidade astronária, de mais de 10 milhões por cento em 2024, resultado de reavaliações indevidas de ativos de baixa liquidez. Relatório do banco reforça que operações entre o Master e a Reag contribuíram para esse resultado, que não condiz com a realidade de mercado.
Investigações apontam ainda que recursos circularem por estruturas administradas pela Reag, retornando ao banco por meio de investimentos em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), principais instrumentos de captação da instituição financeira. Além disso, fundos como o Brain Cash, criado pouco antes de receber empréstimos do Master, tiveram aplicações vultosas em operações de risco, com retorno abaixo do custo.
Repercussões e respostas
A Reag negou qualquer irregularidade e afirmou que não há denúncias ou documentos oficiais contra suas operações. A operação de busca e apreensão também atende ao objetivo de esclarecer as suspeitas de gestão fraudulenta e manipulação de mercado, em um cenário que aponta para uma possível rede de lavagem de dinheiro ligada a organizações criminosas e figuras influentes.
A investigação continua em andamento, com a expectativa de que as diligências ajudem a esclarecer o papel de advogados, gestores e empresários envolvidos na cadeia de fraudes.
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